Margs, um marco artístico e arquitetônico da cidade

Ele é um dos mais imponentes prédios do Centro Histórico, com um dos mais ricos históricos arquitetônicos, entre tantas importantes construções da região — e da própria cidade. Desde 1978, ele abriga o mais importante espaço das artes plásticas do estado, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli.

 

CENTRO HISTÓRICO, por Emilio Chagas

um dos mais imponentes prédios do Centro Histórico, com um dos mais ricos históricos arquitetônicos, entre tantas importantes construções da região — e da própria cidade. Desde 1978, ele abriga o mais importante espaço das artes plásticas do estado, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli

Foto: Emilio Chagas

O prédio foi construído inicialmente para ser a sede da Delegacia Fiscal da Fazenda do estado. Para realização da obra, o governo federal abriu uma concorrência pública em 1912, tendo como único inscrito a empresa de engenharia de Rudolph Ahrons (uma das mais importantes nas duas primeiras décadas do século passado) que apresentou um projeto considerado bastante caro e, por isso, rejeitado. Depois de mudanças no Ministério da Fazenda, muitos trâmites e reviravoltas burocráticas, o prédio acabou sendo construído.

O início das obras foi em 1913 e a conclusão em 1914, envolvendo centenas de operários, com trabalhos de decoração assinados pela oficina de João Vicente Friedrichs, incluindo a participação de Franz Radermacher, Victorio Livi e Alfred Adloff — este último o autor da famosa estatuária do prédio, com as esculturas da fachada e do interior. Na época, a Alemanha estava empenhada na Primeira Guerra Mundial, o que impediu que as cúpulas de bronze fossem instaladas. Isso só aconteceu em 1922, depois término do conflito.

 

O dedo do lendário Theo Wiederspahn

Um dos mais destacados arquitetos da época, Theodor Wiederspahn assina o projeto arquitetônico da obra (o arquiteto e escultor Fernando Corona, porém, afirma ter sido Germano Gundlach). O arquiteto se projetou com outras obras igualmente importantes, como os prédios das faculdades de Medicina e Engenharia da Ufrgs, dos antigos Correios e Telégrafos (atual Memorial do RS) e o Edifício Ely, entre vários outros que se destacaram no início do século XX. As obras projetadas pelo arquiteto alemão têm como características em comum a escultura fachadista que predominou em Porto Alegre entre 1900–1928, além do estilo eclético.

Com muitos outros exemplos, inclusive em obras públicas, como o Viaduto Otávio Rocha, a cidade é, até hoje, uma das que mais se destaca na estatuária pública (e privada) que, ao longo dos anos, vem se perdendo. O prédio do Margs, assim como o do Memorial do RS, é riquíssimo neste aspecto, com várias estátuas, figuras, brasões, etc. em seu frontispício. Destacam-se as figuras de Ceres (representando a agricultura) e Hermes (simbolizando o comércio) sob um grande brasão da República. Também são muito apreciadas as estátuas alegóricas da arquitetura, da indústria, da navegação e da pecuária.

 

Estilo arquitetônico e riqueza de detalhes

“O estilo arquitetônico do prédio é indefinido. Frontões clássicos ao lado das cúpulas abarrocadamente bulbiformes. Rigorosa simetria nos elementos da fachada e desequilíbrios das torres. Colunas de ordem jônica sem pedestal e com máscaras humanas entre as volutas. Um amplo e até mesmo extravagante repertório decorativo (guirlandas variadas, máscaras diversas, anjinhos, escudo) ao lado das sóbrias figuras da fachada. A estatuária revela bem o adestramento acadêmico de Adloff”, escreve o professor Arnold Doberstein em “Estatuária e Ideologia”. No interior, inúmeros detalhes exibem uma riqueza de elementos e uma sofisticada decoração.

Azulejos coloridos nas paredes, ladrilhos com motivos geométricos no piso, mármore branco e estuques em relevo no teto se destacam, além de um grande vitral sobre o salão principal. Também despertam curiosidade os detalhes de talha em madeira nas portas. O prédio passou a ser usado como museu em 1978, tendo sido incluído no rol de bens imóveis tombados pelos Institutos do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Estadual (Iphae) em 1981 e 1985, respectivamente. Com o restauro completo dos anos 1990, o Margs finalmente atendeu às condições exigidas pelas convenções museológicas, tornando-se capaz de receber todo o tipo de exposições e mostras.

 

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