Marco Falcone “O Mercado é um charme gastronômico”

Marco Falcone

“O Mercado é um charme gastronômico”

 

Mestre-cervejeiro e dono da microcervejaria mineira Falke Beer, Marco Falcone já está íntimo de Porto Alegre, com quatro visitas à cidade, como convidado do evento Extra-Malte, do Studio Clio. Apaixonado por cervejas, vê com alegria o crescimento delas no Mercado Público, espaço que considera um potencial difusor da cultura cervejeira, a exemplo de outros mercados do país, como o Ver-o-Peso, de Belém do Pará, o Mercado de Manaus e o Mercadão de São Paulo.  Além de fabricar cerveja, Falcone também imbuiu-se da missão e “o intuito muito forte de divulgar a cultura cervejeira”. Em visita ao Mercado Público, foi ouvido pelo Jornal do Mercado.

 

Acho que, por ser um espaço gastronômico, é fundamental que o Mercado Público tenha cervejas especiais. Por que este mercado (de cervejas) tem crescido tanto? Porque está havendo um aumento do poder aquisitivo das pessoas e, com isso, elas querem aumentar sua qualidade de vida, se alimentar melhor, beber melhor. E o Mercado Público vem ao encontro disso tudo, porque as pessoas querem comprar coisas de melhor qualidade. Então, a cerveja especial tem que estar presente. E, pelo o que eu percorri e vi aqui, já existem várias lojas que estão começando nessa tendência, que só vai crescer. A facilidade de se expandir é muito grande. Teve até uma loja aqui em que o sujeito me disse que há três anos teve uma abordagem para vender cervejas especiais e não teve o menor interesse. E hoje viu que é uma necessidade, já está com gôndolas para elas, porque a procura tem aumentado.

 

O Mercado, espaço de difusão da cultura cervejeira

 

Creio que o Mercado Público é um termômetro desse crescimento. Na última vez que vim a Porto Alegre, vi um movimento muito restrito. Era só o pessoal da área cervejeira, degustadores e gente das associações. Não tinha esse apelo da cerveja ser disseminada e espalhada pela cidade. Agora, fico muito surpreso de ver isso aqui no Mercado Público, sem dúvida, é um termômetro de que a cultura da cerveja está se expandindo. O Mercado de Belo Horizonte tem um aspecto um pouco diferente, mais rústico, com setores mais específicos, como o dos famosos queijos, por exemplo. Lá também se aderiu a esse movimento, com várias lojas trabalhando intensamente com cervejas especiais – em Minas isso é muito forte. E vejo que Porto Alegre também está no mesmo caminho, com uma adesão dos comerciantes daqui muito forte.

 

Tradição e cultura

 

A gente vê que a tradição gaúcha de cerveja é muito mais antiga do que outros estados do Brasil, até pelo fato das imigrações italiana e alemã. Então, tem mais gente fazendo cerveja por tradição aqui do que nos outros estados, talvez, assim como Santa Catarina. Mas vejo que Porto Alegre hoje supera essa tradição das primeiras cervejas alemãs, com o pessoal aderindo a onda de fazer cervejas ousadas e especiais. E é aí que eu acho que entra o Mercado Público, com sua gastronomia diversificada e alimentos especiais que se encaixam muito bem com cervejas especiais. Esse modelo está se espalhando também em outros mercados, como o de São Paulo. Outros mercados, como o Ver-o-Peso, de Belém do Pará, o de Manaus e o centro histórico do Rio de Janeiro, com suas livrarias, sebos e espaços culturais, também estão aderindo.

A cerveja tem uma carga cultural muito grande, porque vem desde o início da civilização humana, e o Mercado Público, como difusor cultural, abraça essa causa. Os mercados eu defino como espaços de memória emocional das pessoas, muito fortes, porque ligam a parte gastronômica ao bem estar das pessoas, onde elas encontram diversidade e lazer. Muito diferente das pessoas que compram nos supermercados, preocupadas, sem a alegria de quem compra nos mercados. É isso que dá esse charme gastronômico a um mercado. E eu estou feliz por o Mercado Público estar aderindo e dando espaço para a cultura cervejeira, que é o motivo da nossa peregrinação por todo o país.

Foto: Letícia Garcia

 

 

COMENTÁRIOS