Mãe Norinha de Oxalá

Depoimento a Fabrício Scalco

Ela é fundadora do CEDRAP, Congregação em Defesa das Religiões Afro-Brasileiras, entidade da qual foi presidente por 4 anos. Leonor dos Santos Almeida, a Mãe Norinha é uma das maiores conhecedoras da tradição e histórico do Bará do Mercado, possuindo uma grande documentação sobre o assunto e projetos já realizados sobre o tema, como Os Caminhos Invisíveis do Negro em Porto Alegre (aprovado pela Petrobras) – e, principalmente, de tornar o assentamento num dos mais importantes bens de patrimônio imaterial da cidade. Ele nasceu e se criou no Areal da Baroneza no ano em que o Príncipe Custódio morreu (que, na sua opinião foi o autor do assentamento do Bará), importante referencial da territorialidade negra de Porto Alegre.

Para ela o Mercado Público é o maior marco religioso dentro de Porto Alegre, onde ela convive desde criança quando ia fazer as compras para as obrigações na Banca do Bandeira. Durante a semana ia também para a obrigação do peixe. O Bará, informa ela, é onde se faz o passeio das pessoas que estão cumprindo obrigação, depois que levantam do “chão”. “A gente dá esse axé para a pessoa, vai na praia, vai numa igreja que é um lugar sagrado, calmo, ali perto da Igreja do Pão dos Pobres, onde tem um fundamento religioso muito grande. Pedimos a paz, tranqüilidade e o que tem ali para o Bará, acendemos vela, botamos moedas nos cofres que tem na Igreja e viemos para o Mercado. Aí se caminha pelos quatro cantos, largando moedas, tirando rezas. Ali a gente faz os pedidos, pedindo licença para o dono daquele lugar. Quando se vem no passeio a gente vem caminhando e pedindo, fartura, dinheiro, trabalho, saúde. Sempre que há um acontecimento forte a gente faz o passeio”.

 

Origens do Bará do Mercado

“Uns dizem foi o Príncipe Custódio, outros dizem que foi um Pai de Santo, outros que foram os escravos. Ninguém pode provar nada, o certo é que existe o Axé. Quando a gente faz obrigação ali a gente sente aquela energia, aquela força, chega a embargar a voz da gente, quando faz os pedidos. A nossa tradição de Bará ninguém vai tirar, a nossa crença, a nossa fé. Ela é mais que centenária.”

 

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