Lúpulo brasileiro

O lúpulo é uma planta de origem europeia que é dos principais ingredientes na fabricação da cerveja. Da espécie Humulus lupulus, é tradicionalmente usado junto com o malte, a água e a levedura na fabricação de cerveja. Mesmo sendo apenas uma única espécie, existem diversas variedades de lúpulo, cada uma com características bem definidas, variando em potência de amargor e aromas.

 

BURGOMESTRE, por Sady Homrich

Durante o processo de fabricação, na etapa da fervura do mosto, o lúpulo é adicionado e libera as suas resinas, conferindo sabor e aroma à cerveja. A presença de alfa-ácidos traz um efeito bacteriostático, sendo um conservante e estabilizante natural, e a de beta-ácidos contribui mais para o aroma da cerveja.

A planta é de origem europeia, o que dificulta o cultivo em clima tropical. Por isso, a produção em larga escala no Brasil era considerada muito difícil pelos cervejeiros, principalmente pela questão climática, pois carece de clima frio, de altitude e de 13h a 15h de luz ao dia.

Na década de 1950, o austríaco Roland Hoblik, de Nova Petrópolis/RS, cultivava e vendia lúpulos para cervejarias da época. A cervejaria Edelbrau utilizou uma das variedades que resistiram ao tempo em uma Pale Ale, lançada em abril.

Mas a história recente de sucesso do cultivo de lúpulo no Brasil deve-se ao trabalho de Rodrigo Veraldi, um agricultor na Fazenda Viveiro Frutopia, em São Bento do Sapucaí/SP. Tudo começou em 2005, quando Veraldi ganhou as primeiras mudas e conseguiu fazer a germinação em estufa. Em seguida, o produtor tentou levar o experimento a campo, mas as plantas não resistiram e foram descartadas.

Na época, parecia ter dado tudo errado! Anos depois, ele reparou que uma das plantas havia resistido. Surgia então a primeira variedade de lúpulo brasileiro, que foi batizada com o nome da região em que foi desenvolvida: a Serra da Mantiqueira. Foi a oportunidade de tentar algo nunca feito antes no Brasil. Segundo ele, “é uma questão de adaptação”.

As cervejarias nacionais consomem cerca de 2,5 mil toneladas de lúpulo por ano. Quase todo o volume é importado, a um custo de US$ 35 milhões (aprox. R$ 140 milhões). “Para ter acesso a um lúpulo de qualidade, você precisa importar.

O desenvolvimento do lúpulo nacional vai viabilizar, no futuro, o acesso a uma matéria-prima mais em conta”, afirma Sidney Telles Filho, mestre-cervejeiro da Heineken Brasil.

As primeiras variedades começaram a ser cultivadas em 2009 e não se restringem ao interior paulista. No DF, GO, PR, RS e SC temos várias iniciativas que já estão dando certo! A produção ainda é modesta, de apenas 5 toneladas por safra, mas pode representar o início de um novo ciclo nesse mercado.

Diversas cervejas já usaram lúpulos nacionais, como as paulistas Baden Baden Märzen (5,4% ABV, 100% lúpulo nacional), Dádiva South Blossom (5,1% ABV), e as gaúchas Imaculada South Brazilian Harvest Ale (4,5 % ABV) e Edelbrau Fresh Hop Pale Ale (5,2% ABV).

Abraço do Burgomestre!

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