Luiz Augusto da Silva: “O Mercado é tudo para Porto Alegre e para quem trabalha nele”

Mais conhecido como Luizinho por todos os colegas de trabalho, nascido em 6 de agosto de 1970, natural de São Borja, casado e com quatro filhos, ele está no Mercado Público há 20 anos, sempre na Banca 26.

Foto: Letícia Garcia

Quando veio em busca de trabalho no Mercado, conheceu o irmão do seu atual patrão, Ademir Sauer. Foi através dele que acabou entrando para a 26, o seu terceiro emprego na vida. O primeiro foi em uma empresa de esquadrias de alumínio, onde ficou durante quatro anos e era “bem diferente do comércio. Aí, fiquei aqui até hoje. E vou ficar até me mandarem embora”, diz, rindo. Ele conta que no interior as coisas são mais difíceis e que sempre teve vontade de conhecer e vir para a capital gaúcha. “Minha mãe já tinha vindo para cá, trabalhava como doméstica. Então eu vim e comecei a trabalhar como jardineiro.” Na banca, começou como ajudante de um colega, em serviços gerais. “O que me mandavam fazer, eu fazia – se tivesse que varrer a banca, eu varria, se tivesse que abastecer, ir à lavanderia, eu fazia. Faço de tudo, até hoje”, diz. A rotina era bem diferente. Na época, segundo afirma, o público era outro, além de mais numeroso. “A gente trabalhava mais. Quando começamos, as coisas eram mais difíceis, tinha que ‘se puxar’ bastante. Hoje não, tudo é mais fácil, melhorou muito. A banca também mudou bastante – antigamente, na época do fim do ano, a gente vendia 50 sacos de lentilha num dia; hoje já não vende tanto. Era bom, eu gostava, se trabalhava mais, mas eu gostava”, compara.

Tempos antigos e atuais

Hoje ainda se trabalha bastante, mas o público é outro, observa Luizinho. Principalmente o de sábado, que é “mais exigente”. É o seu dia preferido de trabalhar. Lamenta que o Mercado Público não disponha de um estacionamento para atender, em especial, a esse público. Em relação aos tempos mais antigos, acha que havia mais união e mais coleguismo. “Hoje cada um pensa mais em si. São poucos os mais antigos. Na minha banca, são cinco ou seis dos mais velhos. Deles, com quem eu mais me relaciono é o ‘Marciano’ (Justino Ligabui), um dos mais velhos, que me ensinou quase tudo, principalmente sobre bacalhau. Na verdade, tudo o que eu aprendi foi com ele – me deu muitas aulas. Então, hoje, se eu puder ajudar alguém, vou fazer isto, não vou ser egoísta.” Das lembranças mais fortes, que marcaram, estão as da época da reforma da década de 1990, quando as bancas tiveram que mudar de lugar. Os funcionários em geral estavam preocupados, achando que iam ser dispensados, perdendo o emprego. “Houve uma seleção e, graças a Deus, eu fiquei. Foi a época em que mais trabalhei. Tivemos que ir lá para cima, no segundo andar. Dava muito trabalho levar todas as coisas para lá, mas foi muito bom. Depois, voltamos e ficamos no mesmo lugar.”

Freguesia fiel

No Mercado, Luizinho tem uma ótima relação com todos – e muitos amigos. “Todo mundo me respeita, me conhece. Aqui, todo mundo é uma grande família. Se sair daqui, a pessoa vai sentir bastante. Eu gosto muito do Mercado.” Outra lembrança marcante é a do incêndio de 2013. “A gente sentiu muito e viu que nesses momentos todo mundo é unido aqui dentro. Não interessa se é a banca 26, 43, 31 ou qualquer outra. Naquela hora, todo mundo pegou junto, um queria ajudar o outro. E o público também, sempre junto, perguntando se a gente precisava de alguma coisa, quando é que ia abrir. Até os fornecedores ofereciam caminhão para nós. A gente viu que o pessoal se importa com o Mercado.” A freguesia? Considera muito boa, fiel, em sua maioria formada por “pessoas de idade”, mas também jovens. “Temos todos os tipos de fregueses, que confiam na gente. Muitos ligam e pedem o bacalhau exatamente como a gente faz; depois ligam e agradecem, e voltam de novo”.

A importância do trabalho e do Mercado

Para ele, o importante é que o funcionário seja interessado no trabalho para aprender, vestindo a camiseta. “Às vezes, o pessoal está só pelo dia 5 ou dia 1º (dias do pagamento). Tem que gostar do que está fazendo. Se o pessoal não gostar, é melhor pedir para sair.” Sobre um dos principais produtos da banca, o bacalhau, Luizinho afirma que é bom trabalhar com ele. Mas tem que saber, não pode errar o corte, tirar a pele, etc., recomenda. “Como já falei, o Marciano é o professor do bacalhau. Eu chego para apoiar, quando ele está de folga ou de férias. Gosto de trabalhar com comércio, de fazer aquilo que eu aprendi a fazer. Acho que se tiver de fazer outra coisa, vai ser um pouco complicado.” O que ele gosta mesmo é de trabalhar e ter contato com o público. Mudanças no Mercado? Sim, mudou bastante, constata. “O público é o que a gente mais sente, mas o serviço continua o mesmo.” Do Mercado antigo, tem saudades dos colegas que já passaram por ele. Nesses 20 anos, ele aprendeu a gostar cada vez mais do Mercado. “Para mim ele representa tudo”, resume.

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