Little Tokyo – mercado japonês na Califórnia

Metrópole mundial, mais de 150 nacionalidades e línguas circulam por avenidas imensas e pelos blocos e quarteirões gigantescos. As lojas, com artigos de qualidade e de bom gosto, preço adequado à combinação, são templos de consumo para pessoas de fino trato, para milionários e para brasileiros deslumbrados em busca de “sales and clearence”.

 

 

Apesar do gigantismo de Los Angeles, com seus viadutos imensos, bairros distantes e praias ao longo do Oceano Pacífico, Little Tokyo exige uma visita. A colônia japonesa não é tão numerosa quanto a chinesa, mas teve importância fundamental na construção da sociedade californiana. Operários laboriosos foram importantes na construção das ferrovias, das obras de infraestrutura e, principalmente, na introdução de técnicas de agricultura em terras de pouca água. A produção de verduras, de hortigranjeiros, de frutas e as técnicas de irrigação foram vitais no enriquecimento do estado da Califórnia. Nas lojas, nos mercados da “Pequena Tóquio”, onde se fala o japonês e onde os dizeres da propaganda exigem tradução, podemos encontrar todos os produtos essenciais para culinária do Japão.

Washohu, como é denominada, agora reconhecida pela Unesco como um patrimônio da humanidade, possui propriedades essenciais para excelente qualidade de vida e de longevidade para os seus adeptos e consumidores. Contraposição à alimentação típica americana, com seus hambúrgueres, batata frita, sanduíches, molhos açucarados, aqui encontramos sabores e aromas saudáveis e diferentes. Nos finais de semana ou em datas especiais, tem

os shows de quimonos, execução dos tambores taiko, a dança do leão. Tradições da terra do sol nascente. O hom hamachi, peixe diferenciado criado em tanques especiais, está presente. Bem como todos os tipos de sushi, de temaki, de kappamaki, de wasabis, de omakases… Somos tentados por ofertas e pela apresentação do ebi, do hamachi, do tako, do spider roll, do unagi (nome original do camarão), do atum, do polvo, da enguia fresca e de outros frutos do mar. A decoração, com folhas de algas, excita o paladar e obriga a aquisição.

Estamos escolhendo o nosso almoço. Vários tipos de arroz estão enfileirados nas prateleiras. Temperos e shoyos são sugestões para obter o desejado paladar. Até instruções de como preparar o prato estão acessíveis. Não esqueça o dicionário! Distinguir os aromas, a temperatura adequada no servir e os sabores do sakê é outro desafio. Dependendo da mistura adequada do shishimai, arroz especial com menos proteína do que o tradicional, do álcool destilado agregado, do koji – arroz cozido –, do processo de fermentação, do tipo de água empregado, podemos obter quatro tipos básicos da bebida: ginjo, jummai, tutsu-shu e homjozo são as quatro possibilidades. Fico confuso ao tentar diferenciar as propostas de compra. Na realidade, a denominação correta para os japoneses da sua bebida tradicional é nihonshu. Saké para eles é qualquer bebida alcoólica.

O conceito do “sushi bar” está sendo aplicado em todo mundo, modo de universalizar a culinária japonesa e proporcionar uma alternativa mais saudável na nossa alimentação. “Abaixo as batatas com gordura trans”. Outra iguaria, os bifes japoneses, magnífi cos, reduzidos nas dimensões, pelo preço são possibilidades para outra visita. No ano novo japonês, Oshogatsu, o mercado é palco de festividades imperdíveis. Agende a data.

Com o ataque a Pearl Harbor, em dezembro de 1941, a comunidade local, num processo para evitar atos de terrorismo, foi confi nada em campos de concentração num deserto da Califórnia. Fato que produziu atritos, separações e conflitos que levaram anos para serem apagados. Apesar da desconfiança, jovens nipo-americanos recrutados para o exército e servindo em áreas de guerra na Europa tiveram desempenho muito superior à média de outras nacionalidades. Lançados em combates difíceis, ficaram famosos pela coragem e pela tenacidade ao enfrentar as tropas nazistas. As medalhas e fotos comprovavam os feitos, mas, durante anos, o infame ataque nipônico não ficou esquecido, trazendo reflexos negativos para a população já integrada aos costumes e às leis americanas Hoje, pela propaganda e pelos cartazes, a integração entre antigos adversários é quase total. São aliados em tudo. Na despedida, após adquirir o lanche da tarde, descobri que: “tsukuri kata o oshiete kudasai” signifi ca: “Por favor,

pode me ensinar a cozinhar?”

 

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