Leci Brandão O mercado é identidade e legitimidade da comunidade

Leci Brandão

O mercado é identidade e legitimidade da comunidade

 

Identificada com o samba de raiz, tendo começado sua carreira nos anos 70, a cantora e compositora Leci Brandão foi a primeira mulher a participar da ala de compositores da Mangueira. Ela esteve em Porto Alegre cumprindo compromissos políticos. Militando no PCdoB desde 2010, foi eleita deputada estadual pelo estado de São Paulo.  Atualmente, além de se dedicar à carreira musical, faz parte do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial e do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. Também é comentarista dos desfiles de escolas de samba da Rede Globo. 

 

 

Conheço alguns mercados, o do Rio, o de São Paulo, o Mercado Modelo, de Salvador, o Ver-o-Peso (Belém) e hoje estou conhecendo este de Porto Alegre. Há muitos anos venho aqui, mas nunca ninguém me trouxe no Mercado. Nos mercados eu gosto de procurar temperos – se eu estiver fazendo uma viagem no dia seguinte para o Rio de Janeiro, para casa da minha mãe, gosto de levar as coisas que vendem no mercado; uma carne de sol, uma linguiça boa, um queijo bom. Gosto de procurar casas que tenham produtos de religião de matriz africana. Eu acho que o Mercado Público é a identidade das pessoas, da comunidade. É onde você encontra o tempero, a comida saborosa, o artesanato, as pessoas que são a legitimidade daquela região. A boa comida está no mercado. Quando vou a Belo Horizonte, já compro uma sacola, e levo tudo: doce de leite, goiabada, linguiça, queijinho, tudo fresquinho. Levo uma sacola cheia, para mim e minha mãe. A gente, que é de origem humilde, as nossas mães, as nossas tias todas passaram por cozinha de alguém, foram cozinheiras, lavadeiras, arrumadeiras nas casa de elite. Então, quando a gente chega no mercado é como se estivesse vendo a nossa ancestralidade. O que vejo em comum entre os mercados é a parte culinária, dos temperos, mel, uma carne curtida, ervas. Todo mercado tem uma loja que vende imagens de santos, orixás e artesanato de palha. Acho que os mercados deveriam existir em maior quantidade, uns cinco em cada cidade, até porque o povo fica mais tranqüilo de entrar no mercado porque sabe que aquilo ali tem a cara dele.

 

 

Foto: Letícia Garcia

COMENTÁRIOS