Lauro Barcellos: logo não haverá mais peixes

Alerta
A cadeia produtiva do peixe é complexa. Lauro Barcellos, reconhecido oceanólogo, Diretor do Museu Oceanográfico da Fundação Universidade de Rio Grande, faz alguns alertas: ninguém se iluda, a situação é crítica. Mas ainda há esperanças.

Foto: Eduardo Beleske

     Segundo Barcellos, a atividade da pesca está perecendo devido ao seu passado desregrado, quando a fartura encobria os alertas dos pesquisadores. O município de Rio Grande geograficamente é privilegiado para a pesca. Naturalmente, através dos anos se desenvolveram colônias de pescadores. Algum tempo mais tarde, também seria aqui que se iniciariam os primeiros estudos de oceanografia no Brasil, em 1953, época em que os peixes ainda eram abundantes. Nos fins da década de 60 tem início o apogeu da pesca, com o apoio do Governo Federal e seus incentivos fiscais, fortalecendo a indústria pesqueira. Juntamente com estes incentivos vieram também novos e maiores barcos de pesca.
Ele diz que a Lagoa dos Patos já foi um dos lugares mais piscosos do mundo. “No passado examinavam se havia peixe usando uma vara dentro da água, batendo no peixe, todos pescadores usavam, os mais hábeis sabiam dizer que peixe era pelo som”, lembra Barcellos. Aos poucos começou a aumentar a população às margens da Lagoa, assim como o tráfego de barcos e pescadores. O ecos-sistema, que se regenerava, começou a ser subtraído, sem que lhe permitissem a reposição na devida proporção. “A cadeia produtiva do mar depende de diferentes espécies de peixes, em diferentes lugares, em diferentes momentos, em diferentes tamanhos e em diferentes fases de crescimento”, informa o oceanó-logo. Um dado importante é que os peixes demoram muito para crescer. Quando são subtraídos custam muito para se recuperar, numericamente e precisam de áreas muito grandes. O problema é que o meio ambiente hoje sofre com a degradação ambiental.

Uma questão de educação ambiental
Diz Barcellos: “Os peixes são diferentes de nós; quanto mais velhos forem, mais e melhor se reproduzem. Nós matamos todos indiscriminadamente”. Outra observação importante do professor é que nós tiramos do mar o que a gente não vê: “Ninguém imagina que uma corvina de 60 cm, tenha 40 anos de idade”. Para ele logo não haverá mais peixe, porque será tão caro buscá-lo no oceano que tornará inviável pagar pela sua captura. E o pior: tudo isso poderia ter sido evitado seguindo uma política ordenada e consciente.

Nem tudo está perdido
     Felizmente, agora, estes ensinamentos estão ainda mais acessíveis aos jovens de baixa renda de Rio Grande: está sendo  inaugurado o projeto CCMar (Centro de Convívio dos Meninos do Mar). Criado pela FURG e financiado pelo BNDES, sob a batuta do professor Barcellos. O projeto pretende desenvolver a mentalidade marítima, enga-jando os jovens em ações voltadas para o aprendizado e a respeitosa intervenção no ecos-sistema costeiro. Também oferecerá oportunidades, como formação em atividades profissionais relativas às necessidades de mão de obra voltadas para o Mar, entre outras. Talvez, assim, as novas gerações possam conviver mais har-monicamente com o mar e seus maravilhosos frutos.

 

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