Labadee, mercados artesanais do Haiti

Labadee, mercados artesanais do Haiti

 

Uma amostra do Haiti surge em Labadee: refúgio especial para turistas, local afastado, isolado, mesmo da realidade do país, protegido por cerca de arames farpado.

 

     Não podemos passar para o outro lado. Região inacessível pelo relevo da costa e pelas montanhas que mergulham rápido para o Mar do Caribe. Praias, construídas artificialmente pelos engenheiros, são poucas. O píer foi implantado para receber navios de turismo.

População amistosa, cor escura na pele, esguios no porte, falando o francês como segunda língua, estão ansiosos para vender os seus produtos e obter os dólares necessários à sobrevivência. O dialeto local não é fácil para forasteiro que chega curioso. “Muitos da minha família morreram no último terremoto em 2010. Alguns ficaram sepultados juntos com seus animais, com pertences e casas”, era o lamento, olhos lacrimejantes, do guarda que evitou a minha passagem para o lado de lá da cerca, para a realidade do verdadeiro Haiti.

     O Haiti faz parte das grandes Antilhas, ocupando um terço da Ilha de Espaniola; do outro lado encontramos a República Dominicana. Foi nação onde os escravos, após a libertação, lutas sangrentas, construíram uma sociedade ligada a raízes da África. Em 1804, seguindo o exemplo de Napoleão Bonaparte, um imperador negro assumia o poder. Com o bloqueio econômico da França e dos demais países europeus começa uma história de lutas, revoluções pobreza e muitas tragédias.

     Os trabalhos em madeira, as máscaras com representações de figuras e deuses africanos pediam uma parede como abrigo. Uma delas veio para a minha coleção. A cerâmica, multicolorida, é interessante, mas simples e até rústica, rudimentar. O sorriso da vendedora, charmoso, foi o essencial na hora da compra.

     As pinturas, as cores exuberantes nos tecidos, intensas nos traços simples, expressam a alma local. Pequenos conjuntos musicais tentam alegrar o ambiente. Música caribenha, mas com acento haitiano. Simpáticos.

     Vila pequena, pobre, antiga, ao longe no horizonte, fornece a mão de obra necessária ao funcionamento do resort. Barcos rudimentares, de madeira, cores e formatos típicos fazem a ligação. Caminhões apinhados com trabalhadores, em estradas de chão, apresentam outra alternativa para o transporte.

     Outro meio de subsistência, terrível no aspecto ecológico, é o corte das árvores para produção de carvão vegetal. A atividade econômica, uma das poucas possíveis, provoca desmatamento, erosão e fome.

     Tirolesa gigante, a atração turística principal, quase dois quilômetros de extensão, além da emoção, permite uma visão desse enclave, de paraíso feito apenas para turistas.

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