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Kenny Braga e o rolo compressor

ESPECIAL FEIRA DO LIVRO, Lançamento Literário

 

Keny Braga autografando livros no Mercado Público

Ele diz que não abre mão da sua paixão. E mais: que gaúcho tem um lado, é gremista ou colorado, chimango ou maragato, o resto “é conversa para boi dormir”. Esteve no Mercado Público, lançando o seu livro onde resgata a história do famoso “Rolo Compressor”, como era chamado o Internacional durante 1941-49, quando tinha um time imbatível, formado por: Ivo, Alceu e Nena, Assis, Ávila e Abigail, Tesourinha, Russinho, Vilalba, Rui e Carlitos. Durante quatro horas Kenny permaneceu no Mercado, acompanhado de Nena, um dos poucos remanescentes do Rolo. “Saí com o dedo doendo de tanto assinar autógrafos”, disse ele. Sobre o Mercado? “É, sem dúvida nenhuma, o lugar mais charmoso de Porto Alegre. Existe aqui um axé maravilhoso, parece que os espíritos iluminados estão olhando para este Mercado e as pessoas se sentem bem aqui”, disse.

As façanhas do rolo compressor
Segundo Kenny, o livro nasceu da constatação de que o Rolo Compressor marcou época no Rio Grande do Sul e estava esquecido. “Foi certamente o maior time já organizado em nosso estado. Teve uma supremacia absoluta no futebol gaúcho. Ninguém ganhava do Rolo, nem se aproximava da qualidade dos seus jogadores. Tinha um craque em cada posição. Mesmo o Abigail que era o lateral esquerdo, considerado menos técnico que os outros, não tinha ninguém que se aproximasse dele na sua posição”, diz o jornalista. O Rolo Compressor existiu entre 1940-49 e foi hexacampeão gaúcho, se dispersando a partir de 1949. Segundo Kenny, a história dos jogadores, enquanto estiveram no Internacional é mais ou menos conhecida, mas depois que saíram, não. “Eu perguntava para pessoas, inclusive jornalistas, se tinham alguma noção de quem havia sido Rui, o “Motorzinho”. Ninguém sabia nada, nem sobre o Risada, zagueiro que jogou de 1928 a 1941 no Internacional sempre como titular absoluto, assim Alceu, que jogou de 39 a 49, sempre como titular. Ninguém conhecia”.
Para o autor, os jogadores do Rolo eram fiéis ao Internacional. “Adoravam aquela camisa, aquele companheirismo que havia e não cediam ao apelo de nenhum outro clube. Este era o segredo do Rolo: a camaradagem do grupo, a amizade e a permanência dos jogadores através do tempo. Era uma máquina muito bem azeitada, que triturava os adversários, não tomava conhecimento. Tinha um ataque fulminante: Tesourinha, Russinho, Vilalba, Rui e Carlitos. O Rolo jogava por música, um time de artistas e notáveis jogadores”.

E é esta memória, a biografia, o perfil destes jogadores, perdidos no tempo que o cronista resgata. O livro refaz toda a trajetória do Rolo, jogos, vitórias, proezas e títulos, mas acima de tudo, traz uma biografia detalhada de cada personagem desta fantástica história colorada. Diz Kenny: “todas estas histórias que estão por trás do Rolo, foram reconstituídas minuciosamente no livro, através de uma pesquisa intensa, exaustiva, séria. Estou realizado porque fiz um trabalho que era necessário, um resgate de uma história extraordinária. Todos os jogadores, treinadores, dirigentes e títulos estão aí neste livro”
Rico em detalhes, o livro tem histórias curiosas, como a histórica goleada de 6 a 2 no Flamengo que tinha um super-time, em 1947, com quatro gols de Carlitos, para Kenny, o maior goleador do Rolo e da história do Internacional. “Só em gre-nais, 45 gols. Jamais nenhum outro jogador, tanto do Grêmio como do Inter chegará perto de 45 gols em grenais. E ele tem mais de 450 gols com a camisa do Inter”, informa ainda Kenny. Para ele o segredo, além da permanência, era o amor pela camisa que os jogadores tinham. Lembra a declaração de Adãozinho, perguntado se iria jogar no Rio de Janeiro: “Não, eu sou colorado de e alma e coração.” Precisa dizer mais?

 

O lendário Nena, do “Rolinho”

“Comecei com 17 anos, em 1942. Teve campeonato que ganhamos invictos, ganhamos vários. A gente ganhava sempre de goleada, era o Rolo Compressor. Demos uma goleada no Flamengo. Tinha também uma união muito grande entre os jogadores.”

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