Julho de 2010

Claudete Catarina Vargas – Culinarista há mais de 30 anos  

Com mais de três décadas de experiência na área, Claudete hoje dá aulas de culinária no Mercado. Tem uma longa relação com ele, onde se abastece dos seus condimentos, temperos, materiais e ingredientes para ministrar os seus cursos. Além disso, é freqüentadora assídua de várias bancas e diz que está sempre descobrindo uma novidade no Mercado. 

Ah, o Mercado é fundamental para a cidade. Inclusive eu conheço muitos estados e posso dizer que o nosso Mercado é muito limpo, bonito, dá gosto de vir aqui. É, um passeio e para quem gosta de gastronomia é muito legal, com restaurantes bons. Outro dia uma senhora, advogada estava falando que o nosso Mercado não perde para outros do Brasil e é maravilhoso. Eu acho que aqui tem muita coisa boa, para oferecer até para os turistas. Tem aquela confeitaria pelotense lá em cima, que você pode tomar um chá, um lugar legal, seguro, banheiros limpos. É uma coisa mais antiga, não é nada moderno, mas é limpinho.Vinha comer sorvete na Banca 40. E vinha comer peixe no restaurante lusitano que era do meu tio, que era sagrado. São coisas que marcam na nossa infância. Conheço os mercados de SP, Florianópolis também tem um Mercado muito legal e lá para cima eu conheço os de Natal, Bahia, mas são mais sujos com aquelas carnes sêcas, expostas. No nosso Mercado é tudo muito limpo, muito cuidado, com mais higiene. A reforma foi maravilhosa e esse prédio é muito lindo. Eu indico para minhas alunas: o Mercado, aqui você encontra tudo. Dentro da nossa área de gastronomia em Porto Alegre ainda falta muita coisa e aqui no Mercado achamos tudo. E quando não encontramos, eles providenciam alguma coisa diferente. 

 

Elena Ferraz – 68 anos – aposentada e sua irmã no MP. Joaquina Ferraz – 64 anos.

Em suas compras o principal item é a sacola ecológica.

Elena: Eu penso no meio ambiente, porque usando essa sacola, eu vou estar ajudando a manter o nosso meio ambiente limpo, pois o plástico leva mais de 100 anos para se terminar. Essas enchentes que ocorrem vem ser motivo do lixo. Essas sacolas plásticas entopem todos os bueiros. A sacola ecológica vai para casa direitinho, eu lavo, eu volto com ela novamente, guardo ela em casa e não vai poluir o meio ambiente. Então devemos se conscientizar e cada um fazer sua parte. No Mercado vou muito na banca 12, mas tem outras aí que são muito boas. Aqui é um lugar que buscamos coisas boas para a nossa saúde. Venho com muita freqüência aqui. 

 

 

Paulo Brossard de Souza Pinto, político, advogado e jurista.

 

 

Encontramos o ex-senador e ex-ministro da Justiça comprando pão, feijão e carne para feijoada.

“Desde que eu cheguei em Porto Alegre, antes da enchente, eu compro no Mercado. Acho que aqui sempre se compra coisas novas e de boa qualidade. E o pessoal é amigo, conhecido. Acho que agora já tem mocotó, né? Quero ver se no fim de semana eu almoço no Gambrinus. Sempre que posso eu procuro ir aos mercados. É uma referência da cultura do povo.

 

 

 

 

 Um cliente especial: “seu” Roberto Paulo de Almeida, 101 anos. Ele estava na Banca do Holandês acompanhado da nora. Recorda do antigo Mercado Público. 

JM – No Mercado Público o que mais marcou o senhor? Roberto: Do Mercado antigo eu lembro das galinhas que a gente comprava.

JM – E o bonde?Roberto: Não tinha outra coisa. Hoje é tudo diferente, o senhor é moço. Quando eu tinha dez anos, isso aqui era tudo muito diferente. A tecnologia avançou tanto que eu vou lhe dizer, não sei onde vamos parar.

JM – O senhor chegou a conhecer o Mercado Livre? Roberto: Eu nunca ia lá. Tudo aqui era velho. Se lembra do Teatro Coliseu? Eu sou daquele tempo, freqüentava muito o quando era moço. Eu morava na rua do Palácio, hoje a Duque de Caxias. A luz era de querosene e lampião, nem na rua tinha luz. Muitos anos depois que veio a luz, éramos muito atrasados em tudo.

JM – O que o senhor gosta de Porto Alegre? Roberto: Eu gostava muito de caminhar no bairro Moinhos de Vento, gosto dos edifícios e das ruas de lá. Eu trabalhei 40 anos na Casa Rodrigues, me aposentei lá. Eu passava todos os dias por ali (Hotel Majestic, atual Casa de Cultura Mário Quintana), morava lá adiante, na Duque de Caxias e vinha pela Rua da Praia. Eu tinha um amigo que todos os dias a gente ia tomar um “cafezinho” na Rua da Praia. O Mário Quintana todos os dias ele estava lá, eu conhecia ele melhor do que muita gente. Mas, nunca falei, ele sentava naquela distância ali e eu e meu amigo aqui.

JM – Como era o Mercado antes da reforma? Roberto: Naquela época éramos muito atrasados. E depois não havia especialistas como hoje. Na Banca do Holandês sempre tinha bastante gente. Eu gostava muito de ir no Gabardo. No Graxaim, um restaurante que tinha ali perto, no Treviso, dois portugueses eram os donos. Era um tempo muito bom. Tempo de cinema, que era divido em partes, aí no final tinha um aviso que dizia: “Voltem na próxima semana para assistir o próximo capítulo do filme”. Não fosse os americanos trazer muitas coisas… Os carros naquela época eram muito ruins. Hoje não tem carro ruim, pode ser qualquer marca, evoluiu muito. Tem uma loja que vende roupas de homens, na Voluntários, esquina com a Marechal Floriano. Naquela época era só com alfaiate, hoje é tudo pronto. 

 

Wander Wildner – músico

Morando em São Paulo, o ex-vocalista dos Replicantes esteve em Porto Alegre para lançar o seu quinto disco. E, como sempre, visitou o Mercado.

 

 

Eu ainda freqüento o Mercado, venho muito aqui no japonês (Sayuri), hoje eu jantei aqui. O Mercado é um lugar lindo, adoro. É um dos lugares mais lindos de Porto Alegre, eu acho. Ainda mais depois da reforma. Acho legal a estrutura dele, um dos lugares mais clássicos da cidade. No começo vinha mais com a minha mãe, na Banca 40, na casa de erva-mate. Meu pai vinha muito ao Naval e ao Gambrinus, ele trabalhava na Caldas Junior, no Correio do Povo, acho que pegou o Graxaim, o Treviso. Sempre que eu venho a Porto Alegre, venho aqui, principalmente para comer. De tarde entra uma luz de lá (aponta para a Siqueira Campos). Almoçar aqui é legal pra caramba.” 

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