Jornal do Mercado, escrevendo uma nova página na história do Mercado

Jornal do Mercado, escrevendo uma nova página na história do Mercado

 

Além do registro jornalístico, o JM chegou também para fazer um resgate histórico das vivências e lembranças daqueles que aqui estão há décadas, construindo no dia a dia a imagem e a vida do Mercado. Na primeira edição trouxemos trechos dos depoimentos das primeiras personagens, assim como daqueles que nos deram depoimentos ilustres e registraram em nossas páginas os seus saberes. A seguir, retomamos esses depoimentos a partir do número 12, exatamente a edição de nosso primeiro aniversário.

 

 

Celso Marinho Lemos – “Bagé”

Ele fez um dos últimos passeios pelo Mercado acompanhado da reportagem do Jornal do Mercado, em agosto de 2008. Em seguida, faleceu. Sua página na nossa secção “Personagens do Mercado” foi, desta forma, póstuma. Bagé chegou ao Mercado em 1953. Vendeu muito pastel naquele início. Nunca parou de trabalhar, nem no incêndio, nem durante a reforma dos anos 90, quando passou para o 2º piso. Sempre teve uma grande e fiel freguesia e adorava o Mercado. Pouco antes de morrer disse: “Eu gosto demais do Mercado, se pudesse trabalhar estava trabalhando aqui, mas não posso mais vim pra cá”. E lembrou de Luis Salami, Ary, João Rigoni, João Fernandes, amigos dos bons tempos.

 

 

 

Desidério e Licir Maria Rotta de Paoli

Inseparáveis companheiros há mais de 50 anos, Tio Dério e Licir teem uma longa história no Mercado Público, onde chegaram em 1960 para ser sócios na Banca 12, do irmão dela. Vendiam produtos coloniais e já começavam no raiar do dia. Ele já atendia por “Tio” Dério porque tinha muitos sobrinhos no Mercado, como Roni e Lair Groff e os irmãos Luís, Delmiro e Dalci Salami. Trabalhavam e economizavam muito para adquirir patrimônio e viajar. Porém, no incêndio perderam toda a banca. Mas com força e determinação em menos de dois anos já tinham recuperado tudo. Acham que “naquele tempo” tinha mais trabalho que agora, no Mercado. “A vida é assim, tem que meter a mão, trabalhar. Sem sacrifício não se consegue nada”, disse o velho Tio Dério.

 

Paulo Naval, ou Darci Souza de Oliveira

Um dos garçons mais populares da cidade, Paulo Naval é conhecido pelo seu bom humor, suas poesias que está sempre recitando para os seus amigos e clientes. Há mais de 50 anos, só no Naval, o bar centenário do Mercado, Paulo é uma lenda, conhecido até fora do Brasil. Atendeu muitos políticos, como Flores da Cunha, Glenio Peres, Alceu Collares, Olívio Dutra e conta histórias saborosas dos tempos da boêmia, principalmente de Lupicínio Rodrigues, assíduo freqüen­tador do Naval. Lembra exatamente o dia em que chegou no Naval: 8 de janeiro de 1957. Tem três livros publicados, um deles “O Garçom e o Cliente – No Balcão do Naval”, de poesia, em parceria com o jornalista Paulo Ricardo Moraes, o Baiano.

 

Valdir e Neiva Sauer

Os dois também são personagens de mais uma bonita história de um amor no Mercado, tendo comemorado 25 anos de casados, em 29 de junho deste. Pais de quatro filhos, Jefferson, Luis Ernesto, Graziela e Priscila, são naturais de Progresso e estão há seis anos à frente do Açougue San Remo. Uma curiosidade: a carne do casamento foi toda comprada no San Remo. “A gente nunca achou que seria um dia proprietários da banca”, afirma Neiva. Depois de muita luta, quando tudo ia muito bem, problemas familiares os obrigaram a retornar a terra natal: o pai de Valdir adoeceu, fazendo com que ficassem dez anos longe do Mercado. Mas depois voltaram para Porto Alegre e, com a ajuda dos filhos conquistaram o seu espaço novamente, com o açougue San Remo.

 

Irmãos Toniolo

Eram cinco irmãos, Emílio, Arlindo, Aquelino, Benevenuto e Amélio, vindos de Bento Gonçalves. “Bene” foi o precursor da família no Mercado, em 1938. E quem foi trazendo, um a um, os irmãos.  “Viemos “cru” lá da roça. A gente teve muita coragem para fazer o que fizemos”, conta Arlindo. Contam história até do tempo em que colocavam nos bondes as mercadorias encomendadas pelos clientes, que as recolhiam tranquilamente sem serem roubadas. Outros tempos. Das bancas antigas, cobertas por lonas, das mercadorias que vinham pelo rio Taquari, dos grandes clientes da época, hotéis, restaurantes. E, claro, lembram nitidamente da enchente de 41. “Teve momentos em que chegamos no Mercado nadando. Foi uma farra”, lembra Arlindo.

 

 A Família Barcellos

O patriarca era Wenceslau Escobar, que foi bancário muito tempo e gostava de andar engravatado. “Um homem que gostava de ler e que tratava o mais humilde e o mais rico da mesma forma”, diz Margarida, sua esposa. Ela foi a primeira mulher a trabalhar no Mercado, o que causava muito espanto de todos. Hermes, o filho foi o braço direito, trabalhando desde adolescente com o pai. Vendiam peixe, no tempo em que ainda se vendia peixes vivos, nos tanques. Depois passaram a ter também uma fiambreria, vendendo galinha, frios, morcilha, enlatados, salame, queijos, deixando a peixaria de lado. Hermes só se arrepende é de não ter ficado com a banca do pai, que acabou sendo vendida.

 

 João Lopes Cunha, o “Chinga”

Um dos pioneiros do Mercado, principalmente nas peixarias, o popular Chinga sempre teve o espírito inquieto e empreendedor, que resultou hoje num  dos empreendimentos mais fortes do Mercado, a Japesca. Vindo da Ilha da Pintada, começou como pescador artesanal. No Mercado, comprou a então Banca 3. Depois disso viajou pelo Brasil e chegou ter um tempo fora do Mercado, quando foi atacadista em Tapes. Sua lição de vida: “Tem que insistir e acreditar”. Casado com Vera Regina Mendo da Cunha, João Lopes, 70 anos, tem três filhos, um deles Gabriel Mendo da Cunha, atual presidente da Associação dos Permissionários do Mercado.

 

 

 

 

Leonel e Olga de Paoli

       Eles formam um dos casais que se conheceram, apaixonaram e casaram a partir do Mercado. Ela lembra dos tempos dos navios que aportavam todos os dias no Cais e se abasteciam no Mercado e também de fazer entregas nas concentrações do Internacional. Trabalharam duro longos anos. Por isto acham que nos outros tempos o trabalho era mais puxado no Mercado. Tempos em que haviam pouquíssimas mulheres trabalhando nele, quatro ou cinco. Em 1954 nasce Cláudia em 1979, Carlos, os filhos do casal. Em 1979, compram a Banca 1, que já na época era uma flora. Leonel aprendeu a trabalhar neste ramo, no qual está até hoje. “O Mercado é uma escola. Se conseguir trabalhar aqui, vai trabalhar em qualquer lugar”, disse Olga.

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