Jair Kobe “Já vivi muito o Mercado Público, e não tanto quanto eu gostaria”

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Jair Kobe “Já vivi muito o Mercado Público, e não tanto quanto eu gostaria”

Um dos comediantes gaúchos em mais evidência e com uma movimentada agenda de shows, Jair Kobe, que interpreta o popular Guri de Uruguaiana, é natural de Porto Alegre e frequenta o Mercado desde a infância. Hoje mais raramente, devido à vida artística. Com seu colorido e aromas, o Mercado Público faz Jair lembrar o seu tempo de guri.

 

 

 

    Um mix de cores e aromas: esse é o mix que tem a cara do Mercado. Tu não encontra isso em lugar nenhum. Essas coisas me remetem à minha infância, porque eu vinha muito aqui com meu pai, então, sempre que venho lembro de coisas do tempo de guri. Sou do tempo da banana split da Banca 40, numa época que era tradicional. É uma lembrança muito grande que eu tenho do Centro de Porto Alegre, que incluía o passeio no Mercado. Como eu sou porto-alegrense, tenho 52 anos, eu já vivi muito o Mercado Público – e não tanto quanto eu gostaria. Tem um restaurante tradicional que costumo frequentar, o Gambrinus. Tenho o hábito de comprar no Mercado – erva-mate, frios, que são muito fresquinhos. E agora tem esse sistema de tele-entrega, então a gente acaba comprando direto.

 

       O colorido dos mercados

       Eu sempre viajo, e visito mercados em outras cidades, não só do Brasil como do mundo, é meio que tradicional, é um ponto de referência. Ali tu vê o colorido das frutas – de Caribe, Barcelona… É muito bom visitar mercados públicos porque ali tu encontra os costumes, tu tem uma aula de cultura local. A semelhança que encontro é no visual arquitetônico: parece que os mercados têm esse estilo, são muito antigos.  Aqui a gente talvez não perceba a diferença das cores, dos produtos. Já estamos acostumados. Quando tu chega numa outra cidade, tu estranha o colorido, eu até fotografo muito essas coisas. Mas aqui também a gente tem isso. A gente tem que ir com outros olhos, com uma máquina fotográfica, conhecer o Mercado como se fosse um turista. Se a gente começar a observar as coisas legais que tem na cidade, vai se surpreender.

 

       Perspectivas para o Mercado

       Acredito que o Mercado tem a identidade gaúcha, porto-alegrense, e poderia até talvez ser mais explorado nessas questões culturais, com mais shows, mais coisas envolvendo o Mercado, resgatando um pouco mais esta beleza, arquitetura, este entorno. Venho no Mercado Público desde que me conheço por gente, nunca parei para pensar a falta que faria. O Mercado é uma referência: tudo está em torno dele. Eu frequentava mais o Centro antigamente, hoje em dia não tenho mais tempo para isso. Tenho que vir mais, e trazer minhas filhas para visitar, porque é um programa bem bacana. Com essa cara nova que o Centro está ganhando, a gente vem adquirindo segurança, iluminação, calçadas legais, então eu acho que a tendência é, cada vez mais, a gente ter essa aproximação com o Mercado Público.

 

       O Guri de Uruguaiana também passa pelo Mercado

       Chê! Eu não deixo de passar no Mercado Público, pra comprar as minhas ervas, né, Chê? Eu já fui até viciado em erva, sabia? Erva-mate – e moída da grossa! Mas que barbaridade!

 

Foto: Letícia Garcia

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