Daniel Torres – Integração pampeana

 

Cultura Gaúcha, por Letícia Garcia

 

Com pai chileno e mãe argentina, Daniel Torres nasceu em Santa Vitória do Palmar/RS, há 20 km do Chuy uruguaio. De família artista, passou boa parte da vida viajando com o circo e cantando pela América Latina. Nos anos 80 revelou-se como cantor da cultura gaúcha, participando de festivais e colecionando prêmios. Daniel Torres é considerado por muitos a voz da integração pampeana.

 

Foto: Divulgação

Eu canto desde menino, comecei com oito anos. Minha família é de circo e de teatro, além de meus pais fazerem radionovela. Fui me acostumando com a vida artística, vida de viajar e cantar pelo mundo. A música sempre esteve perto de mim, em todos os momentos. Minha primeira referência musical foi meu pai, Domingo Torres. Dom Domingo era um escritor, um poeta, um homem da arte. Meu pai me levou ao conservatório de música em Montevidéu quando pequeno, mas não fiquei muito tempo, senti muita saudade da família. Continuei viajando com eles pelo circo, que voltou ao Rio Grande do Sul. Foi quando comecei a cantar profissionalmente no circo. Na cidade de Horizontina, meu pai abandonou o circo, minha irmã casou com um músico, e acabei cantando com ele e a banda, aos 13 anos. Fiquei muito tempo cantando em conjuntos de baile, música de todos os gêneros. Mas o folclore já fazia parte da minha vida, porque no Uruguai e Argentina a música folclórica é enraizada, nativa da terra. Eu ouvia alguns grupos de Santo Ângelo, Terra Viva, ouvi falar da Califórnia, mas não fazia parte do movimento. Até que, em 1983, vim para Porto Alegre e fui convidado por Leopoldo Rassier a fazer parte do movimento da música gaúcha, e aí começou minha vida dentro da música do Rio Grande do Sul. Conheci o Airton Pimentel, o Antônio Augusto Fagundes, a Maria Luiza Benitez, muita gente que me acolheu dentro do movimento, e fui fazendo a vida dentro da música.

 

Cultura do pampa

Eu transito há muitos anos dentro desse universo da música latina. O Rio Grande do Sul sofre muito mais influência da música argentina, uruguaia e até dos Andes, do que de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia. A tendência é muito grande a gostar do folclore latino-americano. É um intercâmbio cultural que existe há muitos anos dentro da música, da dança, da poesia, dos escritores… Nós transitamos tranquilamente por esse universo.

O que eu vejo é que nós, gaúchos, somos lutadores, e não esquecemos nunca. Somos meio bairristas, nesse sentido, pensamos muito na nossa cultura e procuramos não nos “prostituir” dentro do mercado musical. Temos as nossas convicções, os nossos ideais – claro, cada um no seu ramo, cada um no seu estilo e, dentro desse estilo, procuramos enaltecer a nossa cultura. O que me leva a cantar, em primeiro lugar, é o amor pela música. Isso já vem dentro de mim, já vem de família, é o amor, e não tem nada mais forte. Sobre a cultura do Rio Grande do Sul, nada mais belo do que poder cantar as coisas da nossa terra. A partir do momento em que tu canta as coisas da tua aldeia, tu pode conquistar o mundo.

 

“Liberdade não se compra, não se explora nem se negocia. Liberdade se conquista a cada dia”

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