Paulo Mello: o caminho é a pesca auto-sustentável

Indústria do Pescado

Buscando entender um pouco mais sobre a história da indústria da pesca em Rio Grande, o JM entrevistou Paulo Edison Mello Pinho, presidente do Centro de Indústrias do Rio Grande.

     O Centro surgiu em 1956. No começo, por não haver gelo, os peixes eram conservados no sal, como o charque – uma tradição das colônias portuguesas. Até meados da década de 60, os peixes eram vendidos fresquinhos, de porta em porta, pelos próprios pescadores. Alguns foram pegando a prática e acabaram se tornando empresários da pesca. Já o pescado salgado ia de navio para o nordeste, onde era muito bem divulgado. Assim começaram as empresas rio-grandinas a vender para os atacadistas de lá. “Podemos dizer que foi o pescado salgado que deu início às indústrias do peixe em Rio Grande”, diz Paulo Mello.

O auge
Naquela época os pescadores contaram com a experiência escandinava, que ensinaram o modelo de pesca de arrasto aos gaúchos. Em 1967, o Governo Federal, através da SUDENE, criou um programa de incentivo fiscal onde 25% do imposto de renda poderia ser revertido para investimentos na pesca. Com isto as empresas da cidade deram um enorme salto, investiram em barcos, equipamento e se organizaram. Foi o início da era de ouro da pesca em Rio Grande. Na década de 70 o setor chegou a ter 17 mil trabalhadores, divididos entre os eventuais, avulsos e tarefeiros. Também foi nesta época descoberta a merluza pelo mercado local, pescada nas costas uruguaias. Favorecida pela ampliação das buscas pela matéria-prima e pelo poderio tecno-lógico que na época era superior aos países vizinhos. Nesse período chegaram a ser des-carregadas 120 mil toneladas de peixe por ano, tendo 36 indústrias só em Rio Grande.

A queda
O declínio do setor começou na década de 80, quando começou a faltar matéria-prima e foi decretado o limite das 200 milhas, o que impossibilitou a pesca nas costas do Uruguai e da Argentina. Com isso, estes países passaram a se organizar e a exercer uma acirrada concorrência. Hoje, Rio Grande conta com 13 indústrias cadastradas no setor, duas de outras localidades e uma de São Lourenço do Sul. Também existem pequenos núcleos de fábricas não registradas, que empregam um bom número de trabalhadores, mas que infelizmente geram pesca clandestina. Por exemplo, na safra do camarão, muitas pessoas se tornam pescadores vislumbrando uma oportunidade de ganhar dinheiro. O presidente Paulo Mello acredita que a saída é uma pesca autosus-tentável, visando a recuperação dos estoques de peixes.

 

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