Importante recomeço, ainda que provisório

Importante recomeço, ainda que provisório

 

Os sete estabelecimentos  voltaram a funcionar parcialmente, com menos funcionários e cardápios reduzidos – mas todos felizes e muito dispostos neste recomeço.

 

Sayuri – A volta do pioneiro de comida japonesa no Mercado

Pioneiro, o Sayuri já está no Mercado há 14 anos. “Depois de oito meses, chegou o momento da gente começar a trabalhar e ter o contato com os clientes de novo, e logicamente, entrar dinheiro em caixa”, diz Francisco Nunes, o Chico, o proprietário. Para ele, o retorno foi muito gratificante, principalmente pelas demonstrações de carinho dos clientes. O restaurante voltou com seis funcionários, quatro a menos que havia antes do incêndio. Assim como todos os outros, voltou com um cardápio reduzido. “A gente procurou ficar com os carros-chefes, alguns tivemos que tirar, como o guioza”, informa. Foram mantidos os clássicos yakisoba, sakana furai, peixe na chapa, e a parte do throug, os combinados de sushi e sashimi. Diferente dos outros restaurantes de culinária japonesa do Mercado, o Sayuri é tradicional por ter pratos quentes. “Estamos num espaço bem reduzido, mas contando com a compreensão dos clientes. Eles sabem que a gente não pode oferecer toda a estrutura que tinha lá em cima, mas é temporário”, conclui.

 

 

Bar 26 – Renascendo das cinzas

Há cinco anos no comando do bar, Cláudio Adam diz que está começando uma nova etapa, “renascendo das cinzas”. Mesmo fazendo dois horários, ele está com toda a energia. “Estão sendo excelentes estes dias. Eu não vou dizer que é como nascer de novo, mas é como aprender a caminhar. É uma felicidade tão grande quando a gente bota os pés aqui! Eu me sentia cansado quando vinha para a outra loja lá em cima, e agora me sinto tranqüilo, Quando eu entro aqui parece que o cansaço vai embora”, diz, entusiasmado. Ele também declara-se muito feliz, apesar do espaço ser reduzido. “É muito importante ver os clientes antigos, chegam, abrem os braços, sentam para tomar uma cerveja, almoçar, isso é a melhor coisa do mundo – as pessoas vêm só para dar um abraço”, registra. O cardápio, porém, foi reduzido em 60%, mas os carros-chefes foram mantidos, como a Tainha no Barco, “um prato especial, bem elaborado”, que sempre teve uma boa saída. Tem também bacalhau, salmão assado, filé e picanha gaúcha. As novidades são Picanha à 26 e pastelzinho de charque. E, para arrematar, aquele chope sempre bem tirado pelo Cláudio.

 

 

Taberna 32 – Contando com a fidelidade dos clientes

Comandado pela proprietária Daniane Lete Souza, a Dani, que já trabalha há 17 anos no Mercado Público, o Taberna 32 é um bar-restaurante que se caracteriza por uma clientela fiel. E assídua. Dani era funcionária do Marco Zero, e em 2004 foi uma das compradoras do Taberna. Ela considerada esta volta “muito legal”, garantindo que aproximadamente 90% dos clientes que estão vindo para o almoço são todos conhecidos da casa. Para atender a toda essa demanda, o Taberna hoje conta com seis dos 11 funcionários antigos. Mas a redução mais drástica foi no cardápio, que de 112 opções, caiu para oito pratos, embora essa redução também seja temporária. Destes, ela destaca o Filé a Parmegiana e o Picadão de quatro queijos, que tem muita saída. Para acompanhar, a casa oferece cervejas bem geladas e chope.

 

 

 

Mamma Júlia – Mantendo os pratos principais, inclusive os premiados

O Mamma começou sua história no Mercado quando inaugurou a área de gastronomia no piso superior, em 1996, com a reforma. Gilberto Esteves, proprietário, diz que logo após o incêndio já havia sido cogitado “colocar uma frente no térreo para todos que tiveram perdas significativas, que não puderam mais trabalhar”. Ele considera que a volta está bem positiva e que os clientes conquistados ao longo dos anos estão voltando aos poucos: “O espaço é reduzido, mas para o trabalho que a gente está fazendo está bem interessante. Mantivemos os pratos principais, como a Tainha na Telha, tradicional e bem conhecida, e alguns pratos que a gente ganhou concursos, como o do Boteco Bohemia. Em 2008 ficamos em 2º lugar com o Camarão no Palito, com geleia de pimenta, e em 2009 fomos campeões com a Tulipa Bohemia”. Gilberto também adianta que para o inverno poderão entrar pratos da estação, como a feijoada. Como os outros restaurantes, está operando com número reduzido de funcionários – dos 15 antigos, hoje são oito. Quanto aos clientes, convoca a todos para que “venham, vejam como ficou a praça, bem simpática, com muitas opções e lugar para todos”.

 

 

 

 

Telúrico – De volta, para alívio de uma clientela bem específica

Com uma proposta diferenciada, vegana, o Telúrico já está há 16 anos no Mercado, informa a sua proprietária, Márcia Mascarelo. “O Telúrico é voltado para quem procura uma alimentação mais saudável e pessoas que têm restrições alimentares, como a glúten ou ovos. Trabalhamos com produtos única e exclusivamente de origem vegetal, tanto para os que gostam dessa culinária, como para os que buscam essa alimentação por uma questão filosófica”, explica. Márcia considera a volta como “muita necessária”, tanto pela questão econômica quanto pela necessidade das pessoas que precisam fazer esta alimentação – e que estavam muito ansiosas pelo retorno. E muitos clientes já voltaram, felizes, embora não encontrando todos os pratos de antes, pois o Telúrico também teve que reduzir o cardápio – pelo espaço e por não poder estocar alimentos. Do buffet livre, com 10 pratos quentes e 10 tipos de saladas, o Telúrico oferece agora um pequeno buffet de salada, sopa e um prato feito, acompanhado do suco de clorofila, que é o “must” da casa. “Espero que as pessoas entendam que é uma situação temporária. Procuro manter a qualidade dentro das nossas possibilidades”, diz. “A gente mantém a nossa proposta inicial que é a comida vegana”.

 

 

 

Beijo Frio – Começando do zero

Fruto de uma iniciativa da Associação de Mulheres Solidárias da Zona Norte, que faziam feiras, a sorveteria Beijo Frio ancorou no Mercado em 2008 e recém tinha feito fortes investimentos quando houve o incêndio. Foi duro, assegura Iara Rufino, uma de suas gerentes. “Não foi fácil compensar estes oito meses. Depois que conseguimos organizar tudo, fornecedores, permissão de uso, foi difícil. Temos muitas dívidas, contas. Quando a gente começou, a gente não tinha nem para a passagem, trazia nossa viandinha de casa”, lembra. Para tentar driblar as dificuldades nestes meses, as mulheres da Beijo Frio fizeram feiras do pêssego, da uva, de carnaval, festa dos Navegantes – mas com ganhos insuficientes para suprir os custos da sorveteria. “Essa volta deu outro brilho para nós, porque só sai, só sai, não entra nada. Os clientes chegam, nos abraçam, parabenizam, dizem que somos mulheres corajosas, achavam que a gente não ia voltar. Agora vamos retornar com o pé no chão e superar tudo”, diz Iara. Buscando qualificar cada vez mais os sorvetes, o Beijo Frio, nesta volta, está trabalhando a cada semana com sabores diferentes, mantendo o carro-chefe, Quatro Leites. Também conta com a parceria da Andora, fornecedora de equipamentos que flexibilizou o prazo de pagamento. São três mulheres na produção e três na loja. “Está indo bem o trabalho aqui embaixo, não sei se a gente vai querer subir”, brinca Iara.

 

 

 

Casa de Pelotas – Os doces de Pelotas de volta

Espaço que reproduz um pouco da cidade de Pelotas em pleno Mercado Público, trazendo os doces famosos da cidade, a Casa de Pelotas funciona desde dezembro de 2007. Administrada pelos sócios Álvaro Carvalho e seu mãe Márcia Carvalho, a proposta logo tornou-se um espaço diferenciado no Mercado, com ar-condicionado e acessibilidade aos PPDs, e virou ponto de encontro para uma boa conversa, saboreando bons chás e cafés. A maior parte dos mesmos doces finos e coloniais continua sendo comercializada, especialmente os de confeitaria, com destaque para o quindim e o pastel de Santa Clara. Álvaro comenta que o espaço está em adaptação, e que mesmo o layout da loja vai mudar. “Vários clientes antigos já vieram aqui, dizendo que estavam esperando, que estavam com saudades, isso é muito legal”, finaliza Álvaro.

 

Fotos: Letícia Garcia

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