Igreja Nossa Senhora das Dores

A igreja mais antiga da capital levou 97 anos para ser concluída, tendo na sua arquitetura a influência direta de uma Porto Alegre em transformação.

Foto: Joel Vargas/PMPA

 

Os membros da irmandade devota à Nossa Senhora das Dores, até 1807, rezavam as suas missas na Igreja Matriz, atual Catedral Metropolitana. Com a ajuda de pequenas doações da comunidade local, um novo templo começou a ser construído em um terreno entre as ruas do Cotovelo (atual trecho entre a Praça Brigadeiro Sampaio e a Rua General Câmara) e a Rua da Praia. O ano de 1813 é o primeiro — e oficial — registro de fundação da Igreja das Dores, ocasião da inauguração da capela-mor. No entanto, a partir de 1857, novas obras se seguiram por longos anos, inclusive a construção de um hospital que atenderia os membros necessitados da Ordem. Acredita-se que, por falta de verba, esse espaço nunca foi utilizado.

A decoração interna e as talhas dos altares foram colocadas em 1850 sob a coordenação do entalhador português mestre João Couto e Silva. A pintura do teto foi feita pelo artista Germano Traub em 1866, ano em que o corpo da igreja foi inaugurado. A famosa escadaria veio nos anos seguintes. Até então, o acesso era pela Rua da Ponte (atual Riachuelo). Na fachada, foram erguidas três esculturas, assinadas por João Vicente Friedrichs, representando a fé, a esperança e a caridade.

No início do século XX, veio para Porto Alegre um número expressivo de engenheiros e arquitetos de origem germânica, trazendo do seu país tendências ecléticas. As novidades foram aplicadas em um novo projeto para a igreja, apresentado pelo arquiteto Julio Weise e aprovado pela irmandade. A obra foi finalizada em 1903. Os 97 anos de construções fizeram com que a arquitetura passasse por diferentes leituras. Internamente percebem-se as influências barroca e neoclássica e a fachada é eclética.

Pelo seu valor histórico, em 1938, a pedido da comunidade, a Igreja foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na categoria Sítio Histórico Urbano. Os objetos mais antigos podem ser encontrados na capela-mor, como a estátua de São João Nepomuceno e a imagem de São José, que datam de 1818.

Nos últimos anos, a igreja vem passando por uma série de restauros. O resgate das características originais do local, concluído em 2017, levou cerca de 11 meses. O forro de madeira foi desinfestado, recebeu limpeza e pinturas novas. O próximo projeto é a criação de um museu de arte sacra, que pretende abrigar os mais de dois mil itens guardados entre as paredes do lugar.

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