Identidade cultural

Os Mercados costumam carregar a história de uma cidade. Há quem diga que, para conhecer um lugar de verdade, você precisa ir até o seu Mercado Público. É isso que acontece em nossa capital, que traz o ponto turístico no coração da cidade e acolhe as pessoas da forma mais democrática possível. Não importa a distância ou os motivos pelos quais elas venham: dentro do Mercado de Porto Alegre, elas se sentirão acolhidas.

 

Pablo Ribeiro

Ele veio da cidade maravilhosa estudar da Universidade Federal do nosso estado. O carioca de 27 anos, apesar de ser um engenheiro dedicado, tem como grande paixão a música – principalmente o piano.

Está na capital há quase um ano e diz se surpreender com “a atmosfera cultural que a cidade respira”. Exemplo disso é o Piano Livre do Mercado: sempre que passa pelo lugar, Pablo não deixa de tocar algum clássico e encantar as pessoas.

Entre um Tom Jobim aqui e um Bill Evans acolá, ele vem ao lugar também para fazer algumas compras do mês. Gosta de comprar carnes e produtos naturais nas bancas especializadas. “O preço e a qualidade dos produtos compensa muito.”

Além disso, destaca a importância do Mercado como patrimônio da cidade: “sempre que viajo, procuro conhecer esse tipo de ponto turístico. Aqui tem a identidade do lugar, dá para sentir pelo jeito das pessoas e a maneira que elas se comportam. E como eu estou morando aqui por um tempo, venho também para me sentir mais pertencente à cidade. Fora que a arquitetura do prédio é fantástica”, finaliza.

 

Moacir dos Santos Silva

Moacir (direita) veio a Porto Alegre para fazer exames médicos. Ele mora em Sapucaia do Sul, cidade da região metropolitana, e, apesar da distância ser pequena, raramente vem ao Mercado.

O motorista aposentado de 55 anos frisa, porém, que essa visitação rara é por conta de falta de tempo mesmo, e que, dos lugares que frequenta na capital, o Mercado é o seu preferido. “Aqui o pessoal é mais simples, o atendimento é sempre muito bom e os produtos, bem diferentes do que vemos em outros lugares.”

Quando tem a chance de vir ao Mercado, não pode deixar de levar para casa os peixes – inclusive gosta muito de pescar na Usina do Gasômetro, conta – e o almoço fica por conta da Padaria Pão de Açúcar.

“Aqui é tudo muito bom, só a cerveja que é meio quente, essa é a minha crítica”, brinca.

 

Juscelino Adão Dias da Silva

Junto com Moacir, Juscelino degusta o seu produto preferido no Mercado Público: o café. O churrasqueiro aposentado de 60 anos é conterrâneo do amigo e também veio à capital para fazer exames médicos.

Mesmo que a frequência de visitas ao Mercado não seja a mais intensa, o carinho pelo lugar é visível quando questionado sobre o porquê de vir sempre que passa pela capital. “Aqui é um lugar muito agradável, eu vinha quando era mais jovem, agora venho raramente, mas continuo gostando da mesma forma.”

Não esconde o apreço pelo Café do Mercado. “Para mim, o melhor café que existe é esse aqui. Venho, peço o meu expresso e saio com alguns pacotes para fazer em casa.” Hoje está levando um bacalhau, outro produto do qual é fã.

 

Fotos: Vanessa Souza

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