Hora feliz = “Répiauer”

Lá pelas dezesseis e pouco, parávamos tudo o que estávamos fazendo para tomar o café da tarde.

 

BURGOMESTRE. por Sady Homrich

 

Quase sempre era igual ao da manhã: café com leite e pão com manteiga ou schmier (chimia). Eventualmente, um Toddy ou uma batida de banana poderia quebrar essa rotina. Depois, voltávamos aos afazeres: jogo de bola, bicicleta (andar ou consertar), tema de casa e, raramente, TV.

Também havia o hábito de filar o café da tarde em alguma casa de amigo ou parente. Na minha madrinha, era café preto e bolacha folhada. Na dona Lola, mãe do Canguçu, era bolo frito (uma espécie de pastel sem recheio) com manteiga, mel ou schmier. Na tia Júlia, havia biscoitos e pães com as coloridas geleias feitas em casa. O superlativo desse hábito era o café colonial nos finais de semana, que, depois, virou sinônimo de “bastantagem” e extravagância. Havia uma casa das cucas no Laranjal, na Av. Rio Grande do Sul, quase esquina Novo Hamburgo, perto da casa dos meus avós, que prestava esse nutritivo serviço.

Mas isso faz muuuuuuuito tempo. E, como bom comilão, não esqueci que era uma hora feliz. Até @s amig@s e prim@s mais enfastiad@s davam a paradinha para o lanche.

Talvez esse hábito — o do café da tarde — tenha sido o precursor do atual happy hour, ou “répiauer”. Como ninguém mais tem condições de parar para lanchar no meio das aulas ou do expediente, esse momento de descontração e permissividade passou para depois do “horário comercial”, avançando um par de horas, trocando o Toddy pelo chope, o pão pelo picadinho e @s prim@s pel@s colegas de trabalho.

Na Inglaterra, a galera leva isso a sério pacas! Mas lá o motivo é outro: os lugares que vendem bebidas alcoólicas, ou pubs, têm licença para funcionar até às 23h. É, isso mesmo: às 11h da noite, quando aqui a gente está começando a embalar, lá os garçons tocam o sino, recolhem os copos e todo mundo vai embora a tempo de pegar o último trem/metro/ônibus. Por isso, logo depois do indefectível chá das cinco, já começam a beber no Reino Unido, para dar tempo de… digamos… se divertir.

Problemas de alcoolismo, gerando gastos na saúde pública, levaram os parlamentares ingleses a criar essa linha dura. E se forem pegos tontinhos na direção, ao lado direito dos seus carros (lá é ao contrário), perdem a carteira na hora, fora multas e prisão. Motivo pelo qual existem os pub’ n’ bed (bar + cama), onde o pinguço pode jogar o que restou dele nos pequenos quartos anexos e cair no braços de Morfeu.

Nesse modelo contemporâneo de happy hour, com ampla oferta de cervejas artesanais, sugiro começar com as menos alcoólicas e de menor complexidade. Uma tábua de degustação com quatro ou cinco pequenas doses pode ser uma brincadeira interessante! Experimente as torneiras do Essencial, aí no Mercado. E não esqueça de comer algo para não queimar a largada…

Café da tarde, chá das cinco, “répiauer”… Tudo em nome de refrescar-se nesse verão infernal e buscar um momento de felicidade!

 

…E que a fonte nunca seque!

 

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