Homenagem: Antonio Melo

Com a morte de Antonio Melo, o Antoninho, perde-se muito da memória do Mercado. Personagem da nossa edição de maio de 2008, Antonio Dias de Melo apenas reafirmou o que todos que o conheciam já sabiam: a sua imensa paixão pelo Mercado e sua incansável capacidade de defendê-lo.

Foto: Jornal da Capital

O menino que passou seu aniversário de sete anos a bordo de um navio vindo de Portugal rumo ao Brasil, teria anos mais tarde um papel decisivo na vida do nosso velho Mercado. Atuou juntamente com os seus colegas e bravos mercadeiros em muitos momentos conturbados deste patrimônio de Porto Alegre, principalmente contra a sua tentativa de demolição. Além disso, teve participação decisiva na fundação da Associação dos Permissionários e do Funmercado. Com mais de 40 anos à frente do Gambrinus, outro verdadeiro marco da cidade, Antoninho construiu muitas amizades e relações, desde os mais conhecidos e respeitados políticos, empresários, jornalistas e intelectuais até os mais simples e anônimos frequentadores do lugar. Sua história estará definitivamente ligada à vida da boemia, da gastronomia, do Gambrinus,
do Mercado e da própria cidade.

O menino, nascido em Aveiro, “a Veneza portuguesa”, que levou um mês viajando naquele imenso navio que o trouxe ao Brasil, traria uma grande contribuição para o Mercado na sua consolidação com um patrimônio material e imaterial que se plasmou definitivamente no imaginário da cidade. Embora afastado do Gambrinus, estava sempre informado sobre a realidade do Mercado. Sua partida deixa uma grande lacuna e um imenso vazio nos seus amigos e companheiros. Para nós, do Jornal do Mercado, fica a certeza de que ele teria muito ainda para contar, enriquecendo ainda mais a história recente do Mercado Público

e suas personagens.

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