Histórias de amor no Mercado

 

Histórias de amor no Mercado

As paredes do Mercado já foram testemunhas de muitos romances, como o das histórias que trouxemos para marcar o Dia dos Namorados. O clima romântico do mês de junho serve de inspiração para contar histórias como a de Felipe e Mayla, que se conheceram no Mercado, de Nicole e Daniel, que uniram amor e trabalho, e de Lara e Robert, que tem o Mercado na sua rotina de compras.

 

Doce cupido

    Naquele dia de abril, Felipe largou o caixa do Armazém Doce em um dos seus intervalos e, como de costume, resolveu ir até o Mercado Doce para conversar com a prima Jane, sócia-proprietária da bomboniere. Felipe está no Mercado desde a infância. Os pais dele tem uma história de amor com o Mercado: se conheceram e se apaixonaram entre as paredes do prédio, há quase 30 anos. Jorcir e Iris de Almeida estão no Mercado desde a década de 80, com a fruteira na banca 11 e depois com o Armazém Doce, de onde Felipe saiu no intervalo daquele dia. No Mercado Doce, o movimento estava alto por causa da Páscoa, e esse foi um dos motivos para Jane ter contratado Mayla, que estava fazendo um bico, e não pensava em ficar muito tempo. Mas então, naquele dia de abril, Felipe entrou no Mercado Doce, e os dois se encontraram. A conversa inicial foi ali mesmo, até Felipe ter que voltar ao Armazém. “Mas acho que não deu uns 20 minutos e ela apareceu lá: ‘Tu quer almoçar comigo?’. ‘Hoje?’, eu perguntei. E ela: ‘Não, na segunda-feira’. Aí saímos juntos para almoçar. Um dia acertamos de ir a um baile (ela gosta de música gaúcha, e eu também)”. Felipe de Almeida, 22 anos, e Mayla da Silva, 26, trabalham cada um em uma das duas bombonieres do Mercado, separadas por dois corredores. “A gente ficou um tempão escondidos, e só a Jane sabia. Primeiro era só uma brincadeirinha, aí depois o negócio ficou sério”, conta Mayla, entre risos dos dois. “Então a gente começou a levar a fundo a relação, e gostou mesmo um do outro. A gente conversou… e depois foi só amor”, diz Felipe.

 

Uma vida no Mercado

    Felipe e Mayla estão há dois anos juntos, e se conhecerem foi o motivo para Mayla continuar no Mercado. A história deles e o dia a dia que levam estão entralaçados ao prédio. Eles passam juntos os intervalos de café da manhã, almoço e café da tarde. “A gente passa o dia aqui no Mercado. Bem dizer nossa vida é aqui”, diz Felipe. “Para mim é tranquilo, já me acostumei com essa rotina. A gente se vê todo dia, fica junto todo dia, passa o tempo inteiro juntos, é no Mercado, é em casa… É a vida de um casal”, completa Mayla. Os dois estão noivos, e pretendem casar no ano que vem. “Ele é meu concorrente, mas isso não impede nada”, brinca Mayla, entre risos.

 

 “Já é o segundo ano que a gente passa o Dia dos Namorados juntos. Queria dizer que eu estou muito feliz, só tenho a agradecer a Deus pela pessoa maravilhosa que ele é, e que eu amo muito ele” – Mayla.

 “Eu queria dizer que a amo muito. Depois que a gente se conheceu, só penso nela, não penso em outra coisa. Eu quero que no futuro a gente dê certo, que mais tarde tenha nossa casa, nossa família, que seja muito feliz. Porque eu realmente pretendo ficar para sempre ao lado dela” – Felipe.

 

Ao som dos Beatles

    A música dos Beatles, tocada por uma banda cover, tomava conta de um bar em Porto Alegre. Lara Coletti, 27 anos, professora cenógrafa, tinha tirado uma noite para conferir o show do amigo. Foi ao som dos Beatles que Robert Chafer, arquiteto de 29 anos, viu Lara e resolveu falar com ela. Cerca de oito meses depois daquela noite, o casal de porto-alegrenses faz das idas e vindas pelo Mercado um passeio frequente. Lara é mais assídua, mas Robert costuma acompanhar as compras da namorada. Carne, queijo, azeitona, massas, licor, frios em geral e às vezes frutas fazem parte da lista de Lara, além de visitas às feiras de vinil e de antiguidades. E o Mercado também foi o espaço escolhido para apresentações no início do namoro: “Eu conheci a irmã e a mãe dela aqui, quando ela me apresentou de fato a família”, Robert lembra, “Foi num restaurante ali em cima, no segundo piso”. Lara gosta do yakisoba de um desses restaurantes. “Eu confesso que eu nunca vi o Mercado muito como um lugar romântico”, diz ela, “mas tem uma vista que eu gosto, que é aquela que dá ali para a estação, para o porto”. Uma vista para se compartilhar.

 

Quando perguntado se gostariam de deixar uma mensagem um para o outro, Lara respondeu, com um sorriso: “Eu deixo uma mensagem pra ele depois”.

 

Encontro ao acaso

    Não era muito comum Nicole ir sozinha ao shopping de Cachoeirinha – as amigas sempre a acompanhavam. A recusa de todas ao convite não impediu que Nicole fosse comprar sua camiseta do Grêmio num passeio ao shopping. Estava nessa loja quando ele entrou. Trocaram longos olhares, mas a timidez foi mais forte que a vontade de se aproximar.  Ele foi embora, e Nicole desceu a escada rolante para ir a outra loja – e lá estava o rapaz, olhando um violão. Acabaram saindo da loja juntos, e os olhos se encontraram mais uma vez. “Vamos conversar?”. E Nicole descobriu que o rapaz se chamava Daniel. “’Nicole… e teu sobrenome?’. ‘Nicole da Silveira’, ela respondeu. ‘DA Silveira?’, Daniel sorriu, ‘É ‘da Silveira’ tu também?’”. Os dois sentaram para conversar, e ficaram assim por muito tempo. “Nos identificamos bastante. A conversa, os assuntos, foi tudo bem interessante”, conta Nicole. “A gente conversou mais de 45 minutos, uma hora e pouco. Lembro porque eu queria ver o jogo naquele dia, e perdi. Mas foi por um bom motivo”, completa. Daniel concorda, sorrindo.

Trabalho e amor

    Nicole, 21 anos, e Daniel, 26, namoram há quase 4 anos. Os dois moram em Gravataí, e trabalham juntos na Carel Banca 48, onde Nicole está há 2 anos. A família dele veio de Santa Cruz do Sul, centro do estado, quando o pai, Airton da Silveira, comprou a banca 48 no Mercado, há 11 anos. Quando se conheceram, Nicole nunca tinha visitado o Mercado Público: “Eu sempre via pelas reportagens e tudo, e pensava ‘um dia eu vou lá visitar’. Mas nunca imaginei que iria trabalhar, e namorar, aqui. Nisso a gente se conheceu”, conta. Nicole trabalhava numa loja de roupas, até que veio ajudar na banca quando tirou férias – e acabou ficando. “A gente sempre quis trabalhar juntos. É um ambiente família”, diz ela. “Cada dia que passa a gente vai aprendendo um com o outro”, completa Daniel, “E meus pais também vão passando experiências para nós. Isso é muito importante”. Para os dois, o Mercado é um ótimo lugar para um passeio, um almoço, compras. E, claro, trabalho. “Estar junto o tempo todo é bacana. A gente tem planos para o futuro, noivar agora, logo, casar, então é começar desde já essa relação completa”, diz Daniel. E a ideia é continuar trabalhando no Mercado depois. “E até o infinito, né amor?”, conclui Nicole.

 

“Amor, saiba que você é muito especial para mim. Você entrou em minha vida suavemente, seu carinho, sua atenção e dedicação foram aos poucos despertando este sentimento maravilhoso. Você me revelou que nossos desejos, sonhos, conquistas tem um sentido maior. Você me mostra a cada dia o caminho da felicidade. Eu te amo pra todo o sempre!” – Nicole

 “O amor é um conjunto de muitas coisas: companheirismo, sinceridade, confiança, compreensão, sentimento sincero e verdadeiro. Em você encontrei todas essas qualidades, encontrei um amor verdadeiro. Feliz dia dos namorados, do teu namorado que te ama de verdade – Daniel”

 

 

Fotos: Letícia Garcia

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