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História de um amor no Mercado

História de um amor no Mercado

 

Nos mês dos namorados, eles estão comemorando 25 anos de casados, mais precisamente em 29 de junho.  Pais de quatro filhos, Jefferson, Luis Ernesto, Graziela e Priscila, são naturais de Progresso e há seis anos estão à frente do Açougue San Remo. Eles são Valdir Sauer, 48 anos e Neiva Luisa Sauer, 46 anos. E aqui contam sua história de amor às vésperas das Bodas de Prata.

 

Um cantinho escondido no Vale do Taquari, chamado Campo Branco, em uma escolinha, única na localidade é onde começa a história do casal. “Na época era só olhares, estudávamos juntos, tínhamos, 11 ou 12 anos. Depois com tempo, o Valdir foi para Vera Cruz estudar. E eu fui estudar em Lajeado”, relembra Neiva. Tudo indicava que aqueles olhares em sala de aula reservavam uma história para a vida de ambos. “A gente nunca perdeu o contato, sempre se falando por carta, não era aquele namoro de toda hora que nem hoje, né! A gente chegou a ficar um ano sem se ver. Só se escrevia, mandava cartão”, comenta ela. Ainda na adolescência o casal firma o namoro. Ela morando em Lajeado e ele já tocando a vida no Mercado Público aos 14 anos. Trabalhou durante 15 anos com seus irmãos Domingos e Ademir Sauer, das bancas 17 e 26. Neiva lembra de como foi a oficialização do namoro para os pais. “Foi bem tranquila porque nossas famílias se conheciam. Meu pai namorou a mãe dele e a minha mãe namorou o pai dele. Namoravam entre aspas, né? Se olhavam… Mas meus pais eram muito exigentes, quando íamos para os bailes no interior de Lajeado a gente nunca podia ir sozinhos.” Valdir reforça: “Nunca me esqueço da primeira vez que fui na casa do meu sogro. Ele me serviu vinho, fazia para vender.Na época eu tomava um pouquinho de vinho e ele enchia o copo e eu não queria fazer feio em deixar, né? E aquele vinho era muito forte.”

 

Ensinamentos

 

Quanto aos momentos vividos em companhia dos pais, Neiva afirma que os ensinamentos estão presentes em seu relacionamento com os filhos. “A gente procura manter alguma coisa do aprendizado dos nossos pais. Claro que não com tanta rigidez quanto era, porque isso está se perdendo muito no namoro e vai para um casamento com muitas facilidades. Eles não aprendem a valorizar o verdadeiro sentido do namoro.” Fala o coração de mãe. O pai reafirma a posição do casal. “Eu vejo assim, hoje vai muito direto ao sexo. Sem se conhecer, aí vira algo meio descartável. Então é uma parte boa que se perdeu durante o namoro. Há certas coisas que não deveriam ter se perdido. Claro que não dá para manter tudo, mas a essência estamos conseguindo passar”, diz. Na época ele trabalhava na banca 26 e ela morava em Lajeado. Para reforçar a renda, Valdir trabalhava todos os domingos até o meio-dia, depois ia namorar em Lajeado, de ônibus. “Ia lá dar um oi, e voltava”, lembra ele, Neiva complementa. “Era um namoro com perseverança” (risos). Dois anos depois, aos 18 anos ela veio para Porto Alegre, morando na casa de um irmão. Valdir lembra que nessa época o MP começou a fechar aos domingos. “Eu ia para lá. Como a gente trabalhava com armazém, eu fazia o churrasco, e o cunhado já ficava faceiro. Eu me lembro que na época eu morava na rua Tenente Ary Tarragô e era uma rua muito perigosa de noite e passou do horário tinha que pagar táxi, o que naquela época era o fim da picada, né? Doía na alma e no bolso!” 

 

O casamento

 

A igreja Nossa Senhora do Trabalho, no Jardim Sabará, foi a escolhida para a celebração. No dia 29 de junho de 1985, Valdir aos 21 e Neiva aos 19 anos, casaram-se.  A festa organizada em família. “A carne foi toda comprada no Açougue San Remo. A gente nunca achou que seria um dia proprietários da banca”, afirma Neiva. Para o buquê a noiva tinha planos especiais. Mandou fazer em São Paulo, com orquídeas – sua paixão. Para preservar as flores ela guardou o buquê na câmara fria da Banca 26. A caminho da igreja ela se deu conta que havia esquecido o tão sonhado buquê. “Eu disse que não ia me casar sem o buquê.” Lá vai o sempre presente Ademir, buscar o buquê e rezar pela felicidade do casal. Neiva não esquece de lembrar da união da família na hora do aperto para servir os convidados. O assador do churrasco estava bêbado. “E aí todos os cunhados assumiram a churrasqueira”, lembra ela.  A família sempre esteve muito presente na vida do casal, inclusive cedendo a casa compartilhada pelos irmãos como o primeiro lar do casal. Tempos difíceis, que exigia muita união.  Porém, quando tudo ia muito bem, problemas familiares os obrigaram a retornar a terra natal: o pai de Valdir adoeceu, fazendo com que ficassem dez anos longe do Mercado. “Cuidamos dele. O Valdir ficou um ano inteiro dormindo com ele a noite inteira”, lembra a esposa. Depois disso, decidem voltar para a capital.  “Eu tinha muito medo de montar um negócio, pois tinha uma família, quatro filhos. No MP eu já tinha trabalhado 15 anos e a minha idéia era comprar aqui. Aí apareceu a San Remo, que é do lado do meu irmão, Ari. Aí ele me ligou de noite e no outro dia eu estava aqui. A Neiva continuou lá mais uns dois meses até a gente vender”, recorda ele. Trouxe o filho Jefferson, aos 15 anos. Recorda que o açougue não vinha muito bem, poderia até haver a troca de ramo. Mas insistiram e felizmente está dando certo. “ Conseguimos erguer novamente a San Remo, com a ajuda dos filhos”, diz Valdir.

 

A vida no Mercado

 

Para eles o dia-a-dia no Mercado, lado a lado, tem seus altos e baixos. São responsabilidades de empresários junto com sentimentos de carinho, afeto e amor de pai e filho, esposa e esposo. “A gente veio de uma família em que aprendemos a ter muita fé. Acredito que o casamento seria mais duradouro se as família tivessem mais fé em Deus, para superar as dificuldades. E casamento não é só alegria, tem as suas dificuldades, temos que aprender a superar cada dia”, afirma Neiva, que considera a história deles diferente. “Eu nunca conheci ninguém e ele também, é uma história única para nós.” Valdir, emocionado, quase como em forma de um pedido de desculpas, diz que às vezes leva a vida muito para o lado profissional, esquecendo um pouco da família. Para Neiva o grande segredo é a fidelidade entre o casal. “Sem fidelidade não há casamento. Essa é a chave”, sentencia ela, que resume sua história numa palavra: dedicação. À família, ao esposo, à vida. Sentimento que Valdir compartilha. Para ele só de amor o casamento não vive, é preciso honestidade, o valor que deve prevalecer no casamento. “Uma coisa que eu admiro muito é quando um casal tem 80, 85 anos, um cuidando do outro. Penso que as pessoas de hoje não querem mais isso. Não que eu vá ficar com ela só por causa disso, mas eu acho que hoje qualquer coisinha é motivo para se separar”, observa Valdir. Ao que Neiva complementa: “Para os casais que acham que é difícil, há possibilidades de ser feliz no casamento. A felicidade se conquista todo dia, um dia você não esta de bem com seu marido, mas amanhã vai estar, é uma coisa conquistada. Então dá para dizer assim: ahhhh, eu sou feliz! Desejamos continuar juntos por mais 25 anos.” E que assim seja.

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