História das Bancas do Mercado Público

Agropecuária De Paoli e Cia Ltda

Arnélio Pedro de Paoli, mais conhecido como Arno,vai fazer 70 anos em outubro. O guerreiro já trabalhou com fruteira, artigos de umbanda, secos e molhados, depois com açougue e agora com agro-pecuária, Está no Mercado desde 1977, quando trabalhava na Banca 46 que, com a reforma passou para fora. Trabalhou com animais até o junho do ano passado, mas o negócio já estava decaindo. “O cheiro era muito forte”, conta. Aí, diz, tiraram os animais e passaram a trabalhar mais com rações, explicando que agora tem mais variedades, que antes não existiam. Recorda que antes só havia uma marca para cães e outra para gatos. “Na época se vendia muito bem para passarinhos, depois o IBDF (hoje IBAMA) começou a dar em cima e hoje passarinho ninguém mais tem”, afirma, lembrando, contudo que algumas pessoas ainda criam periquito, canário belga. Arnélio, o “Arno”, chegou no Mercado em 59, começando na famosa Banca 15, de Luiz Salami. Mas em 1964 já estava na 46. Tem uma vaga lembrança do dono anterior, Carmino Massaferro. Ele também recorda que no início, em 1977, começou com ração. Depois trouxe galinha, marreco, pombo, porco da índia, cachorro, gato e que na época não tinha pecuária em Porto Alegre. Por isto, vendia muito. “Era a pioneira, depois abriu a 15 e 14, em meados de 87”. Hoje a banca tem vitaminas, sham­poo, roupa e brinquedo para animais. O público, segundo ele “tem de toda a classe, uma freguesia muito boa”.

Cartão de Crédito: Visa – Master – Banricompras – Fone: 3221.7707
Sábados abre às 7h30 e vai até 18h30

 

Peixaria São Lourenço

João Carlos Leal de Lima, 62 anos, está desde 1962 no Mercado. A peixaria era do seu pai que, como era funcionário público da Prefeitura, não podia ter banca. “Aí assumi a banca que meu pai, Arnaldo Antonio de Lima, comprou em 1955, no tempo em que trabalhava na “Coréia”, como era chamada a zona onde antes ficavam todas as peixarias. João Carlos lembra que a banca foi modificada muitas vezes: “Eram banquinhas pequenas, às 10 horas encerra a venda, se cortava o rabo do peixe na chegada da fiscalização, mas às cinco da manhã já estavam lotados os portões para comprar peixes”, recorda. Nessa época eram 28 bancas, feitas de mesas de pedra, com um corredor só de peixes. E nome também não tinha, era conhecido apenas como “peixaria”. Ele não sabe precisar, mas calcula que a banca passou a se chamar de São Lourenço de uns 20 anos para cá.
O fim da Coréia foi quando foram divididas as 28 bancas existentes. Como o espaço era pouco, vários proprietários foram colocados numa só banca. No caso da São Lourenço, eram três bancas pequenas, com mais dois sócios, além de seu pai: Jorge Adão Santana Maciel, Manoel Cláudio Carvalho. Ainda dos tempos da Coréia lembra que as banquinhas tinham 2 metros e ficavam no corredor central e que só lá tinha peixe para vender no Mercado. Para ele a tradição do Mercado, em primeiro lugar, é o peixe. “Desde o início sempre teve peixe no Mercado, mesmo que fosse de água doce, dos nossos rios”, conta.
Hoje ele acha que a situação do Mercado melhorou bastante. E afirma que participou de tudo: do incêndio que pegou parte dos fundos da banca. E lembra também da grande reforma quando foram todos juntos para o primeiro andar e depois desceram para o térreo. “E mesmo assim,se vendia bastante peixe”, diz. Peixes mais vendidos hoje? “Corvina, tainha, traíra, filé, pescada, abrótea, cação”, informa.

Cartão de Crédito: não aceita
Fone: 3212.5034

 

Loja da Reforma Agrária

O espaço, conhecido como Loja da Reforma Agrária, existe desde 2002 e, na verdade é o nome fantasia da Cooperativa Central dos Assentados do Estado do Rio Grande do Sul – CO­OCE­ARGS, embora tenha também outras cooperativas vinculadas. A loja, como o próprio nome já indica, comercializa produtos dos assentamentos frutos da reforma agrária, organizados pelo MST, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. A Loja também comercializa produtos oriundos de pequenos agricultores e da agricultura familiar. “O diferencial é origem dos produtos e um dos campeões de venda é o arroz orgânico, ecológico, com certificação”, informa Edi Schepp, 27 anos, gerente da Loja. Ou seja,os produtos não possuem agro­tóxico, sem químicos e sementes transgênicas, e são todos certificados nas suas respectivas áreas, a partir de uma aprovação feita por rigorosas inspeções nas lavouras. Portanto, para ser um abastecedor da loja é condição fundamental ser um produtor ecológico.
A cooperativa também distribui alimentos e produtos para restaurantes naturais e outras lojas, produtos que vêm de todo o estado. “A idéia é estar viabilizando e incentivando o assentados que saíram, muitas vezes, há pouco tempo de um acampamento”, diz Edi, que também vem de uma família de assentados. O pai dela foi um dos primeiros assentados, em 1985, em Herval Seco. Um público que ela define como “não muito jovem, de médio para cima, procura a loja para buscar, principalmente, arroz, sucos, farinhas, cereais, centeio, aveia, mascavo, melado, café, cachaça, acho­colatados, açúcar cristal, feijão. A loja é um convênio com a prefeitura de Porto Alegre, tem como contrapartida pelo espaço no Mercado a distribuição de alimentos para escolas, hospitais, creches e entidades assis­tenciais.
Cartão de Crédito: Visa, Master e Banricompras – Fone: 30234057 –
lojadareformaagrária@yahoo.com.br
Lojas 13 e 15

 

Bar e Restaurante Castelo

João Carlos Feiten, 43 anos é o proprietário desde junho de 2001. Antes, informa, o dono era o “Garrincha”, que segundo ele, “todo mundo em volta do Mercado conhece” e depois um “tal de César”. O fato é que o lugar sempre foi um restaurante. Feiten veio direto de Parobé, onde trabalhava com calçados. Veio através de um cunhado que tem o Bar Neves, já há 15 anos, também no Mercado.
Ele acredita que o Castelo já exista há mais de 40 anos: “Tem um senhor que toma café todos os dias aqui, o primeiro trabalho dele foi no Restaurante Castelo e ele tem mais de 60 anos”, conta. O restaurante serve a cada dia um prato diferente, mas o que predomina é a comida caseira, como carne de panela, aipim, arroz e salada, chuleta, bife à milanesa, bife acebolado, peito de frango, massa caseira, batata frita, polenta. “Sexta feira, 90% do ano é bife enrolado e aipim, sábado galinha caipira e massa, com acompanhamentos e a média dos pratos é de 6 reais”, informa o proprietário, reforçando que o ala minuta da casa (com dois ovos) sai por 7 reais. A casa também é forte nos lanches, com seis tipos de cheese­burguer. Mas o forte mesmo, conta Feiten, é o pastel feito na hora, muito pedido pela manhã e os filés de peixe, que “vende um monte”. À noite é só cerveja, petiscos, até às 9, 10 horas da noite”. Diz também que as mesas que ficam na rua, no Largo Glenio Peres ficam cheias e que os clientes dali são os últimos a sair . Quanto à segurança, acha que antes era mais perigoso. “Agora a segurança mudou muito, não tenho do que me queixar de cinco, seis, anos para cá”, conclui.

Cartão de Crédito: só ticket refeição e alimentação
Tele-entrega 3227.4877

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