Há cinco anos, fogo no Mercado

Meia década se passou e a área atingida, apesar de restaurada, continua interditada, aguardando o PPCI. A última ação direta para a reabertura do segundo piso aconteceu em 2016. Enquanto aguardam voltar para seus lugares, as bancas atingidas seguem operando no Espaço de Eventos provisoriamente.

 

Foto: Leticia Garcia

A noite de 6 de julho de 2013 dificilmente será esquecida por aqueles que têm carinho pelo Mercadão. Foi quando um curto-circuito deu início ao quarto grande incêndio, que atingiu os altos do prédio e os diversos restaurantes, cafés, a sorveteria, a grande loja de artesanato e diversos espaços de exposições e de serviços. A reabertura do segundo piso continua com o mesmo obstáculo: a captação de recursos. A prefeitura de Porto Alegre afirma não ter verba para investir no Mercado. Em 2013, a então presidenta Dilma Rousseff garantiu a quantia de R$19,5 milhões para recuperação do Mercado por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas. Dessa quantia, R$10 milhões foram investidos entre 2014 e 2016 na restauração da parte destruída — R$9,5 milhões estão, hoje, em fase de liberação.

 

Recursos federais

Ano passado, foi encaminhada para aprovação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a documentação da terceira e última etapa a contar com os recursos federais. O Iphan enviou uma Nota Técnica em fevereiro solicitando ajustes, que foram reenviados à Brasília pela equipe do PAC Porto Alegre em 16 de maio. “Eles estão agora analisando e temos mantido contato para esclarecer dúvidas. Acredito que muito em breve teremos notícias positivas”, conta Luiz Merino, arquiteto da Coordenação da Memória Cultural/SMC.

Nessa etapa, estão 15 projetos para qualificação do prédio, como reestruturação do esgoto e pavimentação. Os itens do Plano de Prevenção e Proteção contra Incêndios (PPCI) também haviam sido incluídos, mas a lenta burocracia para liberação da verba foi um dos pontos que levou os próprios permissionários a tomarem a frente e assumirem, esse ano, todos os custos do PPCI. Assinado em maio, o acordo entre a Associação de Comércio do Mercado Público Central (Ascomepc), que representa os mercadeiros, o Ministério Público do Estado do RS e a prefeitura de Porto Alegre tem a intenção de agilizar a reabertura do segundo piso com a execução, em breve, dos itens do PPCI, que incluem escadas e sinalização.

 

Estrutura pronta

A área superior atingida pelo sinistro, que vai do espaço que faz frente à Av. Júlio de Castilhos e segue em U para os lados com frente à Av. Borges de Medeiros e à Praça Parobé, é de cerca de 10% da área total do prédio. As obras de restauração da estrutura começaram em fevereiro de 2014 e seguiram até dezembro de 2016, processo que envolveu muitos detalhes técnicos, por ser o Mercado tombado como Patrimônio Histórico e Cultural. O telhamento e a instalação da rede elétrica emergencial foram as últimas etapas concluídas, únicas intervenções que contaram com recursos do seguro do prédio. Pendente para a reabertura do segundo piso, apenas o PPCI.

 

Provisório

Das bancas atingidas pelo incêndio, a Casa de Pelotas e o restaurante Telúrico deixaram o Mercado para operar em outros locais de Porto Alegre. Já a Associação Porto Alegre Solidária (Asposol), banca de artesanato, funciona em um quiosque próximo ao portão do Largo, bem menor que o espaço original. Os restaurantes Bar 26, Mamma Julia, Sayuri e Taberna 32 e a sorveteria Beijo Frio funcionam, desde março de 2014, em uma instalação provisória no Espaço de Eventos do primeiro piso. Todos seguem atendendo os seus clientes ali, em área reduzida, com menor visibilidade — mas firmes na espera de que tudo volte ao normal.

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