Gladimir da Silva Costa: “No Mercado, vamos aprendendo e trocando informações com os clientes”

Nascido em Viamão em agosto de 1976, casado, com um filho, Gladimir já tinha uma relação com o Mercado Público antes mesmo de começar a trabalhar nele: durante um tempo, em 1995, auxiliava um conhecido na produção de granola, e vinha fazer o abastecimento de ingredientes nas bancas mercadeiras, em especial na Gueno. Foi através dessa relação que ficou sabendo que a loja estava precisando de um funcionário.

Foto: Letícia Garcia

 

“Eu vinha comprar ingredientes para fazer as granolas – aveia, farelo de trigo, castanhas. Já conhecia o Mercado. Nunca tinha trabalhado no comércio, mas me adaptei superbem. Para mim foi tudo novidade. Hoje eu amo o que faço, que é trabalhar no comércio, vendendo, me comunicando com as pessoas, trocando receitas, coisas que fazem parte deste ramo.” Ele diz que, quando começou, estranhou um pouco porque no Mercado se trabalha muito mais horas.

“Mas foi tudo tranquilo. No começo, nos primeiros três meses, a gente sente um pouco (o corpo, principalmente), mas depois a gente vai se adaptando. Eu entro às 7h30 e vou até as 19h30 e, um dia por semana, saio mais cedo, às 18h.” Na Gueno, Gladimir é o supervisor, cuidando praticamente de tudo – pessoal, estoque, atendimento, compra de mercadorias. Define o seu trabalho como “muito bom”, referindo-se, principalmente, ao relacionamento com o público: “A gente acaba aprendendo junto, o cliente vem e pede determinada mercadoria – às vezes a gente compra um produto sem saber direito para que ele serve. E com o cliente vamos aprendendo, trocando informações. A culinária é um ramo muito amplo, a cada ano estão inventando coisas diferentes, e a gente tem que ir acompanhando as tendências.”

Grande movimento

Gladimir tem uma ótima relação com os clientes, que ele define como fiel. “Alguns me chamam pelo nome, é aquela afinidade de atender durante anos as pessoas, trocar informações.” Observa que vem crescendo muito o número de clientes que trabalham e querem aumentar a renda fazendo cupcakes, tortas, sorvetes. “No verão isso vai muito bem – a gente vende tudo para fazer, de mercadoria pronta praticamente não temos nada. Então, para nós, apesar da crise, o movimento aumentou. Foi um crescimento muito bom.” Do Mercado antigo não tem muitas lembranças – ele entrou em 2000 e já pegou o Mercado novo, depois da reforma dos anos 90. “A Gueno já estava aqui neste mesmo lugar, mas teve muitas mudanças. Quando cheguei ainda eram prateleiras de madeira, jalecos como uniforme. Hoje as prateleiras são de ferro, tem outra organização, bem melhor. Eu acompanhei toda essa evolução.” Da época da reforma, quando ainda frequentava o Mercado como cliente, lembra “que todas as bancas foram lá para cima”, diz, referindo-se ao fato de que muitas lojas do Mercado foram deslocadas para o andar superior. Também tem boas relações de amizades, construídas ao longo desses anos. “A gente acaba fazendo muitos amigos e conhecidos porque passamos 12 horas aqui dentro. E as pessoas aqui normalmente trabalham muito tempo – é difícil encontrar alguém que diz que trabalhou apenas por um ou dois meses no Mercado.” Um dos motivos para essa permanência mais longa é, segundo ele, os salários do Mercado, que são “diferenciados”. E também uma carga horária e serviço diferentes. “Não é moleza, eu costumo dizer que é tudo ‘para ontem’. O cliente que vem aqui já sabe como funciona o Mercado, não quer esperar. Se deixar ele muito tempo na fila, vira as costas e vai embora. As coisas aqui funcionam de uma forma diferente, o cliente não tem muita paciência – ele chega e quer ser atendido. Até porque o espaço físico é pequeno, tem que dar agilidade maior, inclusive para as outras pessoas entrarem”, finaliza.

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