Nico Fagundes – Gaúcho, uma identidade própria

Foto: Letícia Garcia

Cultura Gaúcha, por Letícia Garcia

 

Grande nome do tradicionalismo gaúcho, Antônio Augusto Fagundes, o Nico Fagundes, é um dos mais respeitados estudiosos da cultura gaúcha. Nico é autoridade em assuntos como folclore gaúcho, história do estado, danças folclóricas, culinária típica e indumentária gauchesca.

 

Nico Fagundes

Natural de Alegrete, é formado em jornalismo e direito, pós-graduado em História do Rio Grande do Sul e mestre em Antropologia Social. Estudou folclore no Instituto Gaúcho de Tradições e Folclore, do qual foi presidente entre 1995 e 1999. Por 30 anos, Nico foi apresentador do programa Galpão Crioulo (RBSTV), espaço televisivo que ajudou a dar visibilidade ao tradicionalismo nos anos 80. Também é conhecido na literatura gauchesca: já escreveu dezessete livros, entre poesia e prosa, como “Destino de Tal”, melhor romance de 1962 pelo IEL. Além disso, atuou em peças, filmes e curtas com temas regionais. Faz parte do grupo Os Fagundes, composto pelo irmão Bagre e pelos sobrinhos Neto, Ernesto e Paulinho. Já compôs centenas de canções, entre elas “Canto Alegretense”, criada em parceria com Bagre, um hino pela cidade. Um dos pontos que Nico sempre ressaltou é a importância da relação da cultura gaúcha com o Brasil e com países platinos.

 

Uma identidade própria

“O Rio Grande do Sul se beneficia de um complexo cultural sensacional, que tem na base uma etnia multifacetada: índios, negros, portugueses, castelhanos, alemães, italianos. Isso tudo enriqueceu de tal maneira, que a nossa cultura forçosamente se beneficiou. O momento que nós vivemos hoje culturalmente no Rio Grande do Sul é excepcional. A prova está aqui, na Feira do Livro, que a cada edição apresenta coisas novas, que valoriza os nomes que surgem, mas não esquece os que vieram primeiro.

Nós temos que fazer, inicialmente, uma referência a três homens, que foram decisivos: Paixão Cortes, Barbosa Lessa e Glauco Saraiva. Esses homens foram os três mosqueteiros que começaram isso tudo. Nós hoje, aqui, de bota e de bombacha, escrevendo versos cancioneiros, somos simplesmente herdeiros desses homens maravilhosos que começaram essa saga.

Nós somos orgulhosamente brasileiros, gaúchos brasileiros. Mas o comprometimento cultural, histórico-geográfico, se destaca. Nós nos irmanamos a argentinos e a uruguaios, e isso nos faz diferentes do outro Brasil. Não melhores, nem piores – mas diferentes. Nos dá uma identidade própria” – Nico Fagundes.

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