Feira dos azulejos em Portugal, Porto dá o exemplo

A arte nos azulejos foi desenvolvida ao extremo pelos portugueses. Além do uso nas decorações, nos objetos do diário, é um processo utilizado para revestir fachadas de prédios, de igrejas e mesmo de palácios. Modo econômico de reduzir os custos da manutenção, principalmente em zonas marinhas, ou nas colônias de clima tropical, ou ainda onde a atmosfera é bastante agressiva.

 

MERCADOS DO MUNDO, por Felipe Daiello

A necessidade, a imaginação, a criatividade e a prática levaram artistas a desenvolverem outro tipo de arte. Não nas telas, não no gesso, mas na cerâmica é que aparece outro tipo de manifestação artística.

Na região do Porto, muitas fábricas e ateliês estão em pleno funcionamento para produzir joias nos azulejos.

Aqui, as fachadas das igrejas, painéis imensos, reproduzem na tonalidade azulada cenários da Bíblia, antigas pinturas e desenhos que recebem espaços gigantes para despertar a nossa admiração. As igrejas do Porto são pródigas no espetáculo.

A arte foi e é empregada para retratar e imortalizar a visão de cidades, de praças, de monumentos. Vistas do mar, de morros que não mais existem — antigos trabalhos nos ajudam no retorno do tempo.

A arte se espalhou pelo mundo: na parte antiga de Macau, em azulejos, constatamos como a colônia aparecia no século XVII. Em Salvador, no Convento de São Francisco, Lisboa aparece como era antes do terremoto que, em 1776, quase a destruiu por completo.

Em muitos locais do mundo, cenas de Lisboa e de Portugal permanecem como testemunhas do passado.

Na oficina de uma loja especializada, é possível acompanhar o processo de produção, desde o projeto e os desenhos iniciais até a preparação das peças.

Azulejos em peças isoladas ou agrupados da maneira mais engenhosa possível apresentam figuras folclóricas, símbolos heráldicos de Portugal, composições geométricas, figuras de santos, batalhas históricas, imagens modernas e mesmo padrões surrealistas.

Projetos para residências, para ambientes internos de bancos, para lojas de supermercados — não há limites para execução. O atual Mercado do Bolhão usou essa tecnologia para localização e para a propaganda das suas bancas.

A recuperação de prédios tombados entra na fila de atendimento, exigindo mão de obra especializada quando é preciso substituir peças avariadas. Outra seção destinada a consumidores comuns e turistas nos fornece artesanato típico de Portugal.

Figuras de animais, de peixes, nas quais sardinhas largam na frente: com todas as cores e faixas, elas aparecem. Figuras de barcos, de todos os tipos e tamanhos, permitem que colecionadores fanáticos comecem ou ampliem a coleção.

No local de exposição do Douro, as suas pontes, os seus restaurantes, as cantinas do vinho famoso e as antigas embarcações, os rabelos, nos encantam.

A origem da peça cerâmica, quadrada, de preferência, com face vitrificada após a aplicação de esmalte que a torna impermeável, foi introduzida pelos mouros.

Barata e fácil de fabricar, foi empregada na decoração de palácios e de mesquitas durante a ocupação muçulmana da Península Ibérica.

D. Manoel I, em 1498, visitando os palácios mudéjares de Toledo, de Sevilha e de Saragoça, ficou encantado pela arte dos “azzelij”, palavra árabe, e trouxe para Portugal a técnica que, na sua terra, adquiriu características especiais, únicas no mundo.

Para apreciadores e os conquistados pelas minhas palavras, recomendo uma visita ao Museu dos Azulejos em Lisboa. Tendo tempo, percorra as estações do metrô em busca das belezas e da arte portuguesa no azul dos azulejos. Vale o desvio.

Fotos: Felipe Daiello

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