Feira do Vinil, há 15 anos no Mercado Público

Desde 15 de maio de 2003, os queridos discos de vinil chamam a atenção dos visitantes que diariamente passeiam pelo Mercado e foram consolidando uma das feiras mais tradicionais do local.

 

Em meados dos anos 1990, a Praça da Alfândega era o ponto de encontro para a realização da então Feira do Disco. O evento ocorreu por alguns anos, tradicionalmente, logo após a Feira do Livro. O público amante da música participava da Feira comprando discos e levando para escutar em casa, nas conhecidas vitrolas — uma espécie de ritual, quase esquecido na geração dos smartphones. Infelizmente, por falta de apoio da prefeitura, a Feira não durou muito tempo na Praça. “Em 2003, comecei a articular uma feira no Mercado Público, pois vi que havia uma procura imensa de pessoas pelo vinil. Ele é mais palpável. Você manuseia com mais precisão, enxerga-se uma certa paixão”, conta Adeli Sell, vereador de Porto Alegre e idealizador do projeto.

 

No gosto do público

A feira faz parte da chamada “economia solidária”, assim como as demais que acontecem semanalmente no Mercado. Mesmo com a difusão de diversos meios que possibilitam o acesso à música, o vinil retomou o seu espaço nos últimos anos, seja pela conhecida qualidade da música ou pela nostalgia dos seus ouvintes. “O vinil teve um visível crescimento de consumo. As vendas aumentaram a ponto de as lojas nos shoppings venderem não só discos usados, como também discos novos. As fabricas estão com uma boa demanda de produção”, analisa João Antônio, expositor da Feira.

Totonho, como é conhecido, leva discos ao Mercado desde o início da Feira. Lembra que estava passando pelo Mercado e viu a movimentação. Logo falou com um colega para exporem naquele espaço. “No começo, a Feira era no Espaço de Eventos, após, foi transferida para o segundo andar e, há algum tempo, estamos em outro espaço, no térreo [próximo à Banca 40]. Hoje somos seis. Antigamente havia mais expositores. Ainda assim, muitos continuam prestigiando”, conta.

 

MP como referência

De acordo com Adeli, a questão da organização dos expositores sempre foi muito tranquila e, hoje, a Feira está, basicamente, andando por conta própria. “É um setor bastante restrito e uma atividade não muito lucrativa. Basicamente, ajuda a manter as pessoas. Ela soma paixão com a sua sustentabilidade material, ganhando em cima da venda ou da troca”, diz. Além de vender e trocar discos usados, os expositores também compram e muitos vão à procura desse serviço. “Não há uma divulgação formal da Feira. A propaganda vai de boca a boca. No Mercado, tem gente de todo o mundo. O turista chega ali e não acredita que tem os discos. Acabam comprando para levar. Uma vez, um italiano comprou um lote para vender na loja dele lá na Itália. O que mais costuma sair é música brasileira”, conta Antônio.

 

A Feira do Vinil ocorre, tradicionalmente, uma por cada mês, geralmente na segunda semana. Confira as próximas datas:

14/5 a 19/5            25/6 a 30/6            23/7 a 28/7

27/8 a 31/8           10/9 a 15/9             22/10 a 27/10

12/11 a 17/11         24/12 a 29/12

Fotos: Fabiane Pereira

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