Feira do Livro, as origens

ESPECIAL FEIRA DO LIVRO

 

Feira do Livro de Porto Alegre é uma das mais antigas do País. Começou em 1955 e seu idealizador foi o jornalista Say Marques, diretor-secretário do Diário de Notícias. Inspirado por uma feira que visitara no Rio de Janeiro, Marques convenceu livreiros e editores da cidade a participarem do evento.

A idéia era popularizar o livro, movimentando o mercado e oferecendo descontos atrativos. Na época, as livrarias eram consideradas elitistas. Por esse motivo, o lema dos fundadores da primeira Feira do Livro foi: “se o povo não vem à livraria, vamos levar a livraria ao povo.” A Praça da Alfândega era um local muito movimentado na Porto Alegre dos anos 50 e de 400 mil habitantes. No dia 16 de novembro de 1955, era inaugurada a 1ª Feira do Livro, com 14 barracas de madeira instalada em torno do monumento ao General Osório. Hoje a infra-estrutura foi ampliada e modernizada, os eventos culturais se consolidaram e a Feira passou a receber grandes nomes do mercado editorial brasileiro e internacional, fazendo dela o maior evento aberto do gênero na América Latina.
A Idéia
A idéia da primeira Feira do Livro de Porto Alegre é creditada ao jornalista Say Marques, um dos diretores do Diário de Notícias, importante publicação da época. Ele havia regressado do Rio de Janeiro onde vira a II Feira do Livro Carioca e trouxe esta idéia para os gaúchos. A primeira comissão organizadora contou com o presidente da Câmara Brasileira do Livro, seção RGS, Henrique Bertaso (Editora e Livraria do Globo), Leopoldo Boeck (Livraria Sulina), Egon Poetter (Livraria Americana), Augusto Cunha Carneiro (Livraria Farroupilha), Mauricio Rosemblat (Ed. José Olympio do RJ) e o jornalista Say Marques.
Os patronos
A partir da 11ª edição a Feira do Livro de Porto Alegre adotou a tradição de eleger um patrono. O primeiro foi o jornalista, político e escritor Alcides Maya. Os patronos eram eleitos entre escritores e livreiros significativos para o mercado editorial gaúcho e já falecidos.

Todos os Patronos homenageados
1965: Alcides Maya; 1966: João Simões Lopes Neto; 1967: Alceu Wamosy; 1968: Caldas Júnior; 1969: Eduardo Guimaraens; 1970: Augusto Meyer; 1971: Manoelito de Ornellas; 1972: Luís Vaz de
Camões; 1973: Darcy Azambuja; 1974: Leopoldo Bernardo Boeck; 1975: Athos Damasceno Ferreira; 1976: Erico Verissimo; 1977: Henrique Bertaso; 1978: Walter Spalding; 1979: Auguste Saint-Hilaire; 1980: Moysés Vellinho; 1981: Adão Juvenal de Souza; 1982: Reynaldo Moura e Monteiro Lobato; 1983: José Bertaso; 1984: Maurício Rosenblatt; 1985: Mario Quintana; 1986: Cyro Martins; 1987: Moacyr Scliar; 1988: Alberto André; 1989: Maria Dinorah; 1990: Guilhermino César; 1991: Luis Fernando Verissimo; 1992: Paulo Fontoura Gastal; 1993: Carlos Reverbel; 1994: Nelson Boeck, Edgardo Xavier, Mário de Almeida Lima e Sétimo Luizelli; 1995: Caio Fernando Abreu; 1996: Lya Luft; 1997: Luiz Antonio de Assis Brasil; 1998: Patrícia Bins; 1999: Décio Freitas; 2000: Barbosa Lessa; 2001: Armindo Trevisan; 2002: Ruy Carlos Ostermann; 2003: Walter Galvani; 2004: Donaldo Schüler; 2005: Frei Rovílio Costa; 2006: Alcy Cheuiche; 2007: Antonio Hohlfeldt; 2008: Charles Kiefer

A feira e a Praça da Alfândega

Seria impossível vislumbrarmos a Feira do Livro de Porto Alegre em outro local senão a Praça da Alfândega. Em outros tempos esta se chamava Largo da Quitanda e há mais de duzentos
anos ela representava o núcleo do povoado, inicialmente ocupada por barracas aonde escravos vendiam produtos alimentícios. Por volta de 1860 inicia-se a urbanização do seu espaço, árvores foram plantadas e um chafariz foi instalado aonde hoje se encontra a estátua do Marechal Osório, inaugurada no ano de 1933. Os organizadores da primeira feira queriam encontrar uma alternativa para tentar mudar a imagem do livro. Na época as livrarias eram lugares tristes e silenciosos que inibia a freqüência de certo público. Portanto, levar estes livros para uma praça aberta, rodeada de luz e pela alegria da primavera permitiria um novo relacionamento destes com o povo. Era dado o primeiro passo para a democracia da leitura. Tão democrática se tornou que na maioria das vezes em que ocorreu contou com uma convidada que logo passou a ser personagem: a chuva. A primeira Feira teve de ter um dia de adiamento por sua causa, assim como no ano seguinte também tiveram de adiar uns dias até que a chuva desse uma trégua. Naquela época tudo ocorria em torno da estátua do Marechal Osório, era onde ficavam as 14 barracas de livreiros. Na última Feira foram contabilizadas 171 barracas, sinal de sucesso e sinônimo de um compromisso que envolve desde os autores, passando pelo mercado livreiro até chegar ao seu consumidor final, o leitor. Este o grande agraciado em todas as edições desta que é a mais importante reunião literária do nosso estado.

O Xerife

Idéia de Mauricio Rosemblat, quando ao inaugurar a Feira queria que esta seria ao som de uma sineta. O cargo de Xerife é desempenhado por pessoa ligada ao mercado livreiro da cidade. O Xerife é o coordenador da praça e encarregado de resolver os problemas que possam surgir neste espaço durante a feira.

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