Feira de São Cristóvão

No Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas (CLGTN) funciona a tradicional Feira de São Cristóvão, a síntese do Nordeste brasileiro em terras cariocas.

 

ESPECIAL | ADMINISTRAÇÃO DE MERCADOS PÚBLICOS MUNICIPAIS

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A relação da região do Campo de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro/RJ, com a cultura e comércio nordestinos vem de muito tempo. Nos idos do século XIX, o bairro era utilizado por viajantes e tropeiros nas transações com o sertão do país. Com o passar do tempo, acabou se tornando um local de festa, motivado pelos encontros dos recém-chegados com parentes e conterrâneos. Essa celebração, regada à música e comida típicas, deu origem à Feira, que permaneceu a céu aberto por 58 anos.

Em 2003, um antigo pavilhão foi reformado pela Prefeitura do Rio e transformado no Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas. Projetado pelo arquiteto Sérgio Bernardes, o pavilhão, inaugurado em 1962, já foi considerado uma das maiores áreas cobertas sem viga do mundo, com 156 mil m². A sua função inicial foi abrigar a Exposição Internacional de Indústria e Comércio durante o governo de Juscelino Kubitschek.

 

Funcionamento e gestão

Em 2011, a prefeitura investiu R$ 11,7 milhões na última reforma, que contou com mudanças na estrutura, serviços de inspeção, limpeza e desobstrução das redes de água, esgoto e drenagem. De lá para cá, a movimentação cultural só aumentou. Os palcos João do Vale e Jackson do Pandeiro recebem apresentações de shows musicais de ritmos nordestinos, entre os quais destaca-se o forró. Além dos artistas locais, periodicamente se apresentam grandes nomes da música e artistas repentistas.

Estima-se que cerca de 300 mil pessoas passam pelo local a cada mês. “A Feira, sem dúvida, é a opção para comprar, comer e se divertir desde a década de 1940. Somos predestinados a representar o Nordeste e a oferecer tudo o que a região dispõe”, salienta a Comissão de Feirantes.

Foto: Alexandre Macieira/Riotur

São mais de 700 barracas fixas que oferecem culinária típica, artesanato, repente e literatura de cordel. Todos os lojistas e barraqueiros precisam pagar uma taxa condominial para poder expor os seus produtos na feira. A gestão é compartilhada entre a prefeitura, por meio da Secretaria de Cultura, e a Comissão de Feirantes.

Em janeiro de 2018, a prefeitura reincidiu de forma unilateral o convênio firmado com a associação que, desde 2006, administrava a Feira, em razão de irregularidades encontradas nas prestações de contas, falta de transparência nas eleições e não-pagamento de tarifas públicas.

Após o ocorrido, foi convocada a eleição para uma nova comissão de organização e administração. O Centro Cultural esteve por mais de oito meses com o abastecimento de água e luz por meio de caminhões-pipa e geradores. O corte foi ocasionado pela falta de pagamento de contas durante a administração do último presidente da Comissão. Tanto a Comissão de Feirantes, quanto a Secretaria de Cultura não quiseram se manifestar sobre essas questões.

 

Reduto cultural

Foto: Alexandre Macieira/Riotur

Além de dois palcos principais, o Centro Cultural possui mais quatro palcos pequenos, situados nas ruas secundárias, no meio de cada setor, e sete núcleos culturais divididos entre as praças da região do pavilhão.

Toda essa efervescência cultural motivou a criação do Instituto Cultural da Feira (ICF), uma instituição sem fins lucrativos que objetiva “defender, promover e proteger a cultura e as diversas manifestações tradicionais e populares da Feira de São Cristóvão, do Nordeste do Brasil, incentivando e preservando áreas culturais importantes no reduto”.

Gilberto Teixeira, diretor executivo da ICF, diz que o coletivo retomou eventos da Feira e agora pretende buscar incentivos para as promoções artísticas. “Queremos enquadrar os eventos nas leis de Renúncia Fiscal para facilitar a gestão da cultura na Feira de São Cristóvão”.

O acesso à Feira é livre de terça a quinta. De sexta a domingo e feriados, o ingresso custa R$ 5.

 

 

 

 

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