Faz quatro anos

Na noite de 6 de julho de 2013, um incêndio atingiu os altos do Mercado Público. Quatro anos depois, a área atingida, apesar de restaurada, continua interditada, à espera da instalação de itens exigidos pelo PPCI. Os restaurantes do segundo piso seguem funcionando em espaço provisório, afastados de seu lar original.

completa quatro anos do incêndio do Mercado

Foto: Letícia Garcia

 

A vida do Mercado não é a mesma há quatro anos. Desde o quarto grande incêndio, os altos do Mercado estão em grande parte interditados – e a ausência de tantos restaurantes, cafés, lojas de artesanato, de serviços e exposições é sentida. O trabalho para a reabertura do segundo piso continua, com o maior empecilho sendo o mesmo: a captação de recursos. Fernando Coronel, diretor do Departamento Municipal de Produção, Indústria e Comércio (DMIC, antiga SMIC), informa que a prefeitura não tem verba para investir no Mercado. Em maio, foi encaminhada para aprovação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) a documentação da terceira e última etapa da restauração. Com isso, os recursos do Programa de Aceleração do Crescimento Cidades Históricas (PAC-CH) devem ser encaminhados para o Mercado. Nesta etapa estão 15 projetos para a qualificação do prédio, que incluem itens como pavimentação, reestruturação do esgoto e reformas para aumentar a segurança do prédio.

 

PPCI

Além disso, foram incluídos os itens do Plano de Prevenção e Proteção contra Incêndios (PPCI) exigidos para a reabertura do segundo piso: escadas metálicas, revisão das escadas existentes e reservatório interno de água. Assim, caso não seja conseguida uma forma mais rápida de captar recursos, essa instalação terá recursos federais. Mas tudo indica que não será necessária tanta espera: a Associação de Comércio do Mercado Público Central (Ascomepc), que reúne os permissionários, encaminhou este mês uma proposta para assumir totalmente o PPCI.

 

PROPOSTA DA ASCOMEPC

A possibilidade de a Ascomepc arcar com o PPCI do Mercado, para agilizar a reabertura do segundo piso, começou a ser discutida com a Procuradoria Geral do Município (PGM) em maio. Este mês a Associação entregou sua proposta à PGM, que agora está em análise. “Estamos muito esperançosos de que seja aprovado, porque a ideia é abrir o Mercado a pleno: nossos colegas do segundo andar voltarem a seus lugares de origem, não estarem mais ‘acampados’ do Espaço de Eventos”, resume Adriana Kauer, 2ª secretária da diretoria Ascomepc. Se aprovado, o valor do Plano será arrecadado entre os permissionários extraoficialmente. A popular “vaquinha” já acontece usualmente para a manutenção de diversos itens do Mercado. A última delas aconteceu este mês e resolveu dois problemas crônicos, as goteiras e as tampas soltas de bueiros.

 

PROBLEMAS RESOLVIDOS

Em ação colaborativa entre Ascomepc e Coordenação de Próprios da DMIC, foi feita a troca de mais de 500 telhas e de todas as tampas de bueiros dos corredores, além da limpeza de calhas e da instalação de lâmpadas. “São justamente essas melhorias que nós queremos fazer e mostrar para a população que o Mercado é um lugar bacana para ser visitado, tanto como consumo quando como passeio cultural. O Mercado é o espelho da cidade, é plural, é público”, declara Adriana. A Associação tem investido em sua profissionalização e, em parceria com a DMIC, na resolução de problemas do prédio. “Nós estamos incansáveis na busca de melhorias para o Mercado. A prefeitura quer o mesmo que nós: que o Mercado seja melhor gerido. E nós continuamos querendo ter a gestão. Essas pequenas coisas que já estamos conseguindo fazer denotam que queremos e somos capazes”, avalia.

 

PROVISÓRIO

Em março de 2014, as bancas atingidas diretamente pelo incêndio passaram a funcionar em uma instalação provisória no Espaço de Eventos do primeiro piso. Os restaurantes Bar 26, Mamma Julia, Sayuri e Taberna 32 e a sorveteria Beijo Frio seguem atendendo seus clientes ali, em área reduzida – tanto de cozinha quanto de mesas. A Casa de Pelotas e o restaurante Telúrico deixaram o espaço provisório para operar em outros locais de Porto Alegre. Já a Associação Porto Alegre Solidária (Asposol), banca de artesanato que ficava no segundo andar, funciona em um quiosque próximo ao portão do Largo. As salas restauradas devem ser liberadas para instalação de maquinários e móveis após a liberação do PPCI, até porque o investimento na retomada das salas só terá verdadeiro retorno quando os fregueses puderem frequentar as bancas em seus locais originais. A prefeitura informa que não previsão para a reabertura do segundo piso.

 

O sinistro começou por volta das 20h30 com um curto-circuito. As chamas se propagaram pelo telhado de madeira e pelos espaços do segundo piso que fazem frente à Júlio de Castilhos, espalhando-se em U para os lados superiores da Av. Borges de Medeiros e da Praça Parobé. O fogo consumiu cerca de 10% da área total do prédio. No mesmo mês começou a retirada de entulhos, limpeza, isolamento e restabelecimento da energia. O Mercado ficou 38 dias fechado, reabrindo em 13 de agosto. As obras de restauração da estrutura começaram em fevereiro de 2014 e seguiram até dezembro de 2016. Todo o processo da restauração do Mercado envolve uma série de detalhes técnicos, por se tratar de um Patrimônio Histórico e Cultural. Isso inclui o uso de materiais específicos e a preservação das características históricas do prédio. A recuperação das estruturas metálicas superiores foi concluída ainda em 2014. Já as obras civis, que são a parte estrutural (paredes, piso, salas, esquadrias, janelas, portas, banheiros e laje), foi terminada em 2016. Até aqui, os recursos vieram do Governo Federal através do PAC-CH. Em dezembro de 2016 foi anunciada a conclusão do telhamento (cobertura metálica, brises, telhas do telhado central, etc.) e a instalação da rede elétrica emergencial, com recursos do seguro do prédio. Pendente e aguardando recursos estão os itens de PPCI (escadas metálicas, revisão das escadas existentes, reservatório interno de água – que já possibilitam a reabertura do segundo piso) e acessibilidade (escadas rolantes e elevadores).

 

COMENTÁRIOS