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“Eu morria de medo de Papai Noel”

A menina praticamente se criou no Mercado. Com poucos dias de vida foi para lá, numa sexta de maçã, onde dormia. O colchão era um prosaico pe­lego. Assim Claudia de Paoli foi crescendo. Até os quatro anos ela ficou no Mercado. Aí a sua mãe teve o segundo filho e parou de trabalhar e ficava em casa e menina também. De cinco para seis anos começou a estudar. Não podia entrar no colégio com esta idade, mas como era bem “espertazinha”, como diz o pai, Leonel de Paoli, conseguiu entrar. Paoli começou na banca 15, do primo dele. Depois teve uma floricultura “se mudava com muita freqüência o ramo, porque era permitido naquela época”, informa. Mais tarde abriu uma fruteira e quando ia fazer as compras na CEASA a menina ficava dentro da Kombi brincando. Comprou a banca 1 (a atual) em 1985, quando a menina já estava com 10 anos. Ela estava no colégio e ia pouco lá. Só voltou mais permanentemente depois de formada. Fez pedagogia, mas não quis exercer a profissão. A menina aprontava e dava muito trabalho. Saía correndo pelos corredores. E todos mundo saía correndo atrás, principalmente os funcionários. Muitas vezes quando iam ver, ela já não dentro da loja. Uma vez ela começou a fazer arte com um saco de feijão, começou a encher o nariz de feijão e quando notaram começou a faltar a ar. Foram para no Pronto Socorro. Dos tombos, ficaram as cicatrizes. “Eu era muito tinhosa”, diz Cláudia. Passeava muito também e adorava brincar com os gatos, que não eram poucos no Mercado. Diz que caixa de maçã não lembra de nada, só sabe porque contam.

 

Os bilhetinhos  para Papai Noel

Cláudia diz que não tem muita recordação dos natais nesta época. Mas lembra bem dos bilhetinhos, principalmente no ano em que ganhou a primeira bicicleta. Deixava bi­lhetinhos por todos os lugares. E, diz, “chorava de medo, do Papai Noel porque como era muito tinhosa tinha medo de encontrar com ele”. Cláudia se formou em 1997. Fez a faculdade enquanto trabalhava no Mercado. Teve uma rápida experiência com magistério, mas diz que valia a pena, como não vale até hoje. Tem muita lembrança boa, principalmente na Semana Santa. Lembra também muito do Chalé e do Mercado velho, do movimento, dos corredores bem mais estreitos, telhado baixo. A família começou com floricultura, depois passou para fruteira e ainda uma pecuária. Ainda sobre o natal, Cláudia lembre que teve um ano que foi muito bonito, com um pinheiro enorme no centro do Mercado. “Botaram um Papai Noel, era um segurança e acho que foi a primeira vez que não tive medo porque sabia que era o segurança.” Recorda também de uma encenação do Calvário de Jesus. E, claro, da primeira boneca que ganhou, “Era uma boneca que eu queria muito, que chorava, chupava bico e levei para o Mercado para mostrar”. Hoje Claudia diz que em todo o lugar que vai está sempre falando do Mercado. E que quando tira férias até brinca dizendo que não quer nem ver a cor amarela. “Mas é só de brincadeira, nos últimos dias tu está louca pra voltar. Até porque aqui é uma família.” É como diz o seu pai, quando fala que a a integração é plena, onde todo mundo se conhece, e “deixa de ser só colegas e passa a ser amigos. Muitos chegam e dizem que não acreditam que ela é aquela menininha que vivia correndo”, conclui o orgulhoso pai Leonel.

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