Lobão: “Eu encho a burra no Mercado”

 “Eu encho a burra no Mercado”

Lobão*

     Sou freguês aqui há muitos anos, toda vez que viajo a Porto Alegre, venho no Mercado, no Gambrinus, na Cachaçaria, já sou “do lugar”. Costumo visitar outros mercados, da Europa, da Bahia, Guará, gosto muito do Mercado de São Paulo.

     O mercado é “uma onda”, uma coisa muito mágica, você tem um monte de coisa, muitos contrastes, eu gosto muito de mercado. Você vê uma variedade, uma fartura de coisas muito diferentes umas das outras. Acho que cada mercado representa a sua região. Você vai na Bahia tem coisas típicas de lá, aqui estou tomando uma cachaça do sul, por exemplo. Então o barato de você ir num mercado desses é de se focar nas coisas que aquela região pode prover. Essa que é a grande vocação do mercado, de reunir aquelas mercadorias basicamente regionais e é isso que dá esse charme nos mercados.

 

 Fazendo um “rancho” no Mercado

     Aqui no Mercado faço cabelo, barba e bigode. A gente compra um monte de coisas, todos os artigos possíveis e imaginários. Erva mate, para tomar um chimarrão em São Paulo – minha mulher é gaúcha. A gente vem aqui e “enche a burra”, faz um rancho para levar. Sobre influências de mercados em composições, eu não sou muito geográfico nas minhas músicas, não. Não sou de falar de coisas ao meu redor. Eu acho que é bacana, o Mercado tem energia, qualidade do cotidiano, entendeu? Acho que tem em todos os lugares. Você vai lá na Cobal, no Rio, todo mundo ia, tinha o Arataca, o Tom Jobim, é uma coisa que atrai as pessoas, não tem a formalidade de um restaurante. Você pega a coisa popular com alta qualidade, esse contraste, coisa de quem é mais artístico assim, se sente mais à vontade, dá “uma onda”.

 Preferências e referências

     Os restaurantes japas daqui são muito bons, todos os mercados têm. Acho que estão sendo incorporados na vida, no dia a dia. Os mercados têm muito peixe e peixe com shushi é até meio redundante. E tem muita gente que quer fazer regime, é uma coisa leve. Espaço preferido? Gosto muito do Mercado em geral, mas o Gambrinus é um lugar especial porque gosto dos garçons, e garçom é fundamental para você se sentir bem num lugar.

*Músico

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