Estilo Brasileiro — Parte 1

Afinal, de que se trata o primeiro estilo brasileiro de cerveja? Os estilos cervejeiros começaram a ser catalogados e organizados pelo beer hunter inglês Michael Jackson no livro “World guide to beer” em 1977. Não confunda com o astro mirim da banda Jackson 5…

 

BURGOMESTRE, por Sady Homrich

As diversas receitas desenvolvidas ao redor do planeta tinham características únicas que foram analisadas, avaliadas, compreendidas e publicadas em uma série de livros, uma série de TV e no site beerhunter.com, que continua no ar, mesmo após a morte do seu criador em 2007.  O mundo cervejeiro é muito transitivo e a todo momento temos novas descobertas, criações e tendências. Já passa de 200 o número de subestilos classificados e a busca por novidades move um mercado inquieto.

Os guias mais utilizados atualmente são o do Beer Judge Certification Program (BJCP), indicado para avaliação de cervejas caseiras, e o da American Brewers Association, usado para julgar cervejas que são comercializadas. Alguns estilos diferem por pequenos detalhes e isso abre margem a interpretações que nem sempre são homogêneas.

Esses guias dividiram o mundo cervejeiro em “escolas”, por assim dizer. Na verdade, refletem a personalidade das regiões onde a produção cervejeira cresceu, se estabeleceu e virou tradição, como as cervejas germânicas, belgas e britânicas, como ponto de partida (mesmo que se fizesse cerveja desde a pré-história, onde algum cereal fosse colhido).

Os norte-americanos, lá por meados dos anos 1970, cansados da falta de opções que a grande indústria oferecia, começaram um movimento que tomou corpo na década seguinte e foi chamado de Renascimento Cervejeiro. Baseados nas três vertentes europeias já citadas, recriaram receitas que buscavam superlativos de sabor, aroma, teor alcoólico e complexidade, trazendo um sem número de novas experiências sensoriais.

Esse movimento virou tendência mundial ao longo dos anos, aportando por terras brasileiras durante a década de 1990, quando a porto-alegrense Dado Bier provou que isso poderia ser um negócio próspero e não apenas um delírio de beberrões lunáticos. Em vinte e poucos anos, ultrapassamos a marca de 800 cervejarias em solo nacional e o homebrewing, ou “fazer cerveja em casa”, virou um dos hobbies da moda.

A busca por uma bebida diferenciada move legiões de aficionados e começou a ter uma busca por um “estilo próprio” em vários cantos do mundo. As entidades que organizam os guias oficiais se fazem presentes em eventos para experimentar as novidades e têm critérios bem definidos para reconhecer um novo estilo, catalogado temporariamente como “experimental” até difundir-se no meio a ponto de ser fixado nas páginas principais.

Isso aconteceu com muitas criações norte-americanas e, posteriormente, com Austrália, Nova Zelândia, Argentina e, recentemente, Brasil. O estilo autodenominado Catharina Sour, criado e difundido pelos cervejeiros catarinenses, lembra uma Berliner Weisse com frutas, às vezes não tão ácida e um pouco mais encorpada.

Muitos perguntam: o que tem de brasileiro nisso? A refrescância, a leveza, a nota azeda e o toque sutil de fruta remetem à personalidade do brasileiro, que busca aliviar o desconforto do calor e das mazelas políticas e sociais com uma visão ácida e leve no seu dia a dia (continua na próxima edição).

 

COMENTÁRIOS