Espaço para o regional

CULTURA GAÚCHA, por Letícia Garcia

 

Foto: Pintura de Vasco MachadoUm jeito diferente de olhar para as próprias raízes – esta é uma das marcas da cultura rio-grandense. Isso inclui a valorização da história do campo, de homens e mulheres que cultivaram tradições a partir da terra. No coração da capital gaúcha, o Mercado Público traz marcas típicas desta tradição, seja em seus costumes, em seus personagens ou em bancas com produtos regionais. A coluna Cultura Gaúcha surgiu exatamente para trazer olhares sobre as coisas do Rio Grande.

A primeira edição foi publicada em setembro de 2012, mês de comemoração da Guerra dos Farrapos. A proposta inicial foi falar da cultura através de entrevistas com personalidades do regionalismo gaúcho – e a música, que carrega com tanta força o nativismo e o simbolismo da figura do gaúcho, foi o ponto de partida, por despertar a vivência do campo através de poesia e melodia.

A primeira entrevista foi com o cantor Joca Martins, marcando seus 26 anos de estrada. A coluna seguiu trazendo perfis de diversos nomes e seus múltiplos pontos de vista. Em setembro de 2013, começou a ocupar uma página inteira do jornal. Passaram pelo JM, entre 2012 e 2015:
• Alcy Cheuiche
• Cristiano Quevedo
• Daniel Torres
• Dante Ramon Ledesma
• Edson Vargas
• Érlon Péricles
• Ernesto Fagundes
• Fátima Gimenez
• Flávio Hanssen
• Gabriel Romano Gonzalez e Grupo
• Gilberto Monteiro
• Grupo Chão de Areia
• Grupo Mas Bah!
• Joca Martins
• Juliano Javoski
• Lucio Yanel
• Luiz Marenco
• Marcello Caminha
• Maria Luiza Benitez
• Nico Fagundes
• O Cancioneiro
• Oswaldir e Carlos Magrão
• Pedro Ortaça
• Raúl Quiroga
• Renato Borghetti
• Rodi Pedro Borghetti (então representando o FIGTF)
• Talo Pereyra
• Wilson Tubino e Paulo Ferrari.

Foto: Joel Vargas/PMPA

Em junho de 2014, em edição especial, o JM apresentou o Mercado Público aos turistas que vieram a Porto Alegre para a Copa do Mundo. Nesta edição, a coluna trouxe um histórico da figura do gaúcho em uma entrevista com o historiador e pesquisador do FIGTF Giovanni Mesquita.

Ali nasceu a semente para uma nova abordagem: discutir aspectos da cultura rio-grandense de forma mais ampla. Então, em setembro de 2015, a coluna passou a ser temática, não mais de perfil. De lá para cá, já trouxe diversos assuntos, baseando-se em entrevistas com especialistas em cada tema:
• A bombacha
• A Califórnia da Canção Nativa
• A cutelaria
• A gaita de botão
• A obra de Noel Guarany
• A obra de Simões Lopes Neto
• A payada “Martín Fierro”, de José Hernández
• A representação da mulher gaúcha no tradicionalismo
• A saga “O tempo e o vento”, de Erico Verissimo
• As danças gaúchas de salão
• As Missões Jesuítico-guaranis
• O 20 de setembro
• O acampamento farroupilha
• O arroz doce
• O chamamé
• O chimarrão
• O linguajar gaúcho
• O pampa
• O Partenon Literário
• Os troncos missioneiros

Escrita pela jornalista Letícia Garcia desde a primeira edição, a coluna vem se renovando e trazendo temas para debate. A cultura comum aos nascidos no Rio Grande, que tem certas bases estabelecidas, pode ser muito dinâmica. Em uma das edições mais recentes, a coluna destacou o pensamento de Barbosa Lessa, um dos pesquisadores que, em sua juventude nos anos 1940, fundou as bases do nativismo e do tradicionalismo gaúchos, refazendo costumes históricos e fundando símbolos a partir de materiais resgatados.

Em seu livro “O nativismo” (L&PM, 1985, p.68), Lessa escreve: “Até onde nos fora possível chegar, chegamos. E, de lá para cá, continuou o tradicionalismo evoluindo, como a confirmar que ninguém pretende ficar estagnado no passado”. Este é também um dos pensamentos a guiar a coluna: o passado segue como referência, mas é a avaliação do presente que constrói o futuro.

Foto: David Alves/Palácio Piratini

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