Escritórios no Mercado

“Mercado Público – Palácio do Povo”/Museu Joaquim José Felizardo

Nem sempre o Mercado foi este templo gastronômico e cultural. Logo que inaugurado, o segundo piso do prédio abrigou escritórios comerciais e industriais, além de repartições públicas – com toda sua formalidade, eram bem diferentes do restante do prédio.

 

Os altos do Mercado foram inicialmente criados para isso: comportar os escritórios dos negócios que se proliferavam pela capital. Afinal, no início do século XX, Porto Alegre crescia, enchendo-se de bondes elétricos, comércio, indústrias e editoras. O desenvolvimento da cidade trouxe essa demanda por salas administrativas, como aponta Rafael Guimaraens no livro “Mercado Público – palácio do povo” (Libretos, 2012). Além disso, a capital estava precisando de um Mercado Público à altura dos novos tempos. A ampliação do prédio foi iniciativa do intendente José Montaury, que desenvolveu em sua administração o Primeiro Plano de Melhoramentos para a cidade. Depois de uma tentativa frustrada em 1884, a licitação foi aberta em 1910, vencida pelo capitão Hildebrando Fernandes de Oliveira. As obras começaram no mesmo ano. Em 1912, em meio à construção, aconteceu o primeiro incêndio, que destruiu os chalés centrais. Passado o susto, o prédio virou um canteiro de obras: em cima, acontecia a finalização do segundo piso; no térreo, eram erguidas bancas metálicas para substituir as tendas incendiadas, além de um frigorífico coletivo.

Depois de pronto, o andar superior trouxe para o prédio muito do visual que ele tem hoje, como os frontões triangulares nos eixos principais e os ornamentos ecléticos dos portões principais. O novo pavimento, chamado então de Galeria Municipal, foi ocupado prioritariamente por repartições públicas, seguradoras, escritórios comerciais e bancas de advogados, como registra Guimaraens: “A Seção de Iluminação a Gás do Município é a primeira a instalar seu escritório”. Ainda nos anos 1930, havia diversos escritórios comerciais e industriais no andar superior, mas é nessa década que acontece uma transformação no uso das salas. Depois de muitos anos, o segundo piso passou a abrigar restaurantes, espaços culturais e de serviços. Ficou para trás o tempo em que o Mercado era, em parte, um prédio de escritórios. Hoje, a reabertura total dos altos do Mercado depende da conclusão das obras de restauração, que recupera a área atingida pelo incêndio de 2013.

 

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