Ernesto Fagundes “Me sinto em casa aqui”

Ernesto Fagundes

“Me sinto em casa aqui”

O cantor, produtor e tocador de bombo leguero Ernesto Fagundes é um frequentador assíduo do Mercado. Seja para comprar a erva-mate de cada dia ou para apresentar a amigos que visitam a cidade, este alegretense defende o Mercado como espaço democrático e berço da música regional, e sente falta de música pelos corredores do prédio histórico.

 

Eu adoro o Mercado Público, me sinto em casa aqui. Como uma saladinha de frutas com sorvete no verão, pego meus vinhos, uma cachaça para dar de presente, uma erva-mate… Sou um frequentador e adoro trazer gente de fora, porque acho que o Mercado mostra muito a cara da cidade e do nosso estado. E foi aqui na frente do Mercado que surgiu a música regional brasileira: Pedro Raimundo, um catarinense nascido em Imaruí, vizinho de Laguna, tinha a frente do Mercado como palco, com sua sanfona, tocando e cantando. Ele é o autor do “Adeus Mariana”: “Nasci lá na cidade, me casei na serra, com a minha Mariana, moça lá de fora…”. Luiz Gonzaga, o Gonzagão, disse que se vestiu de nordestino inspirado no Pedro Raimundo vestido de gaúcho. O Mercado Público tem uma ligação histórica com a música regional.


Música no Mercado

 Já cantei em aniversários do Mercado, e gostaria que acontecessem mais eventos musicais aqui. Imagina ter momentos de música no Mercado, transitando um monte de gente? Meio-dia, samba de raiz do “fulano”, à tardinha, roda de chimarrão com Os Fagundes. Um tango com vinhos desta banca, uma bandinha alemã para estes produtos da colônia, todas essas origens do nosso Rio Grande do Sul, também musicalmente retratadas. Eu adoraria que isso acontecesse. Porque a música é integradora, e no Mercado seriam todas as tribos.

 

      Identidade

 Quando a gente (do grupo Os Fagundes) vai tocar em outros lugares e tem um tempinho, faz um passeio aos mercados locais. Já visitei o de Salvador, que é muito lindo, e o Mercado Santiago Del Estero, de Montevidéu, que tem umas coisas belíssimas. Cada mercado tem a sua identidade própria. O Mercado Público é, para mim, exatamente o que o nome diz: público. Ele é um espaço democrático, e cada vez mais o público de Porto Alegre tem que se adonar do que é dele.


Foto: Letícia Garcia.

 

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