Ernesto da Cruz Teixeira, diretor da Ceasa: “O Mercado Público é um braço da Ceasa”

 

Foto: Divulgação/Ceasa-RS

Ele trabalhou dentro do Mercado Público durante 50 anos. Foi dono e diretor da padaria Pão de Açúcar, fundada pela sua família. É um dos fundadores da Associação dos Permissionários e saiu do Mercado há nove anos. Está no comando da Ceasa pela quinta vez, a primeira vez foi ainda nos anos 80, quando lá chegou com a missão de transformar a Ceasa em uma empresa estadual – antes era federal. Também foi diretor-presidente da Associação Brasileira das Centrais de Abastecimento (Abracen), entidade nacional que reúne todas as Ceasas do país.

 

Como é a realidade da Ceasa?

Vim com a incumbência de construir o maior programa de alimentação popular do Sul do país, com um projeto chamado Prato para Todos. A Ceasa é uma estatal que deu lucro: em 2015, vendeu mais de R$ 1 bilhão. São 1,5 mil produtores fixos, que estão aqui todos os dias, mais 6 mil cadastrados e 300 empresas de atacadistas. Isto aqui é uma cidade, recebemos num só dia no carnaval aproximadamente 35 mil compradores e 15 mil veículos. Aqui tem banco, delegacia e até congestionamento de trânsito. A Ceasa do Sul é a quarta do país e a quinta da América do Sul. É uma empresa de grande porte – trabalha com todos os estados do Brasil, tanto recebe como manda, todos os países do Mercosul e 13 países da Europa, exportando e importando.

 

E como é a relação com o Mercado Público?

Todas as fruteiras e bancas do Mercado Público se abastecem na Ceasa. Ou vindo diretamente aqui, ou através de fornecedores terceirizados que compram e distribuem. 80% de todas as frutas e verduras vendidas dentro do Mercado Público são da Ceasa. O Mercado, na realidade, é um braço da Ceasa, um grande parceiro nosso. Todo mundo sabe que o produto que o consumidor compra lá é fresco, pela grande rotatividade de vendas. Isso é a garantia de qualidade e frescor dos produtos vendidos no Mercado.

 

E o projeto social da Ceasa?

É um programa que atende 30 mil pessoas como complemento de alimentação. Todas as frutas e verduras dessas pessoas são ofertadas pela Ceasa. E pretendemos fazer um convênio com a Associação dos Permissionários do Mercado, porque nós temos um ônibus-escola, com uma cozinha industrial dentro, com o objetivo de não desperdiçar alimentos. Nele se aprende a fazer sucos, bolos, tortas, comida, enfim, com reaproveitamento de alimentos. Por exemplo, com a casca da banana se faz um belo pudim, com o talo da cenoura e do espinafre pode-se fazer um bom suflê. Nós podíamos, quem sabe, botar este ônibus, um dia, no meio do Mercado, usando as fruteiras daí, sem gasto nenhum, com as nutricionistas do SESC para ensinar o povo a fazer deliciosas receitas.

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