Em casa

Há quem traga o Mercado Público de Porto Alegre em suas memórias mais antigas, como se o lugar habitasse em uma época bonita e feliz da vida. Essas pessoas fazem de um dos principais pontos turísticos da capital, suas casas.

 

Alcibíades Correia Neto 

Enquanto degusta o seu vinho, o senhor sentado na mesa externa do restaurante Gambrinus observa o movimento entre os corredores e restaurantes do Mercado. Para Alcibíades, essa prática não é recente.

Natural de Porto Alegre, o servidor público aposentado de 67 anos freqüenta o Mercado Público há muitos anos, pelo menos duas vezes na semana, sempre no mesmo horário “esse do happy hour”. Além do certeiro vinho tinto, Alcebíades é grande apreciador das bancas de peixe.

“Esse lugar é um marco da cidade. A pessoa vem ao centro e precisa dar uma passada aqui. Quem vem de outros lugares visitar a cidade, precisa conhecer”. Conclui.

 

Camila Ramos

Camila aguarda uma de suas clientes na porta de entrada do Mercado Público. A vendedora de produtos de beleza, roupas e acessórios, costuma marcar os encontros para trocas de mercadoria em lugares públicos, e hoje, o escolhido para isso foi o Mercado.

A escolha, porém, não foi por acaso. Camila cresceu em Guaíba, mas sempre frequentou o lugar com a família. A jovem de 25 anos casou-se aos 18 e desde então reside em Porto Alegre. Toda a semana o Mercado é destino certo dentro da rotina da moça.

Entre suas compras habituais, estão as frutas e diferentes ervas. Mas, sobretudo, a passadinha semanal no Mercado se deve à Banca 40. Ela conta que quando era pequena e ia com a família, ficavam distantes da banca e não conhecia a tão adorada salada de frutas. Assim que teve a oportunidade de provar, virou fã de carteirinha.

“Sempre ouvia falar quando era pequena, mas a gente nunca vinha para esse lado, sempre ficávamos do lado oposto”, conta.

A relação que tem com o Mercado é antiga, mas nos últimos anos, os laços têm se estreitado bastante. “Para mim, aqui é literalmente o coração da cidade. A gente encontra tudo, e mais, tu se encontra com quem tu gosta, então é uma relação de carinho.”

Como todos que nutrem esse carinho, Camila diz que está na expectativa pela reconstrução da parte atingida pelo incêndio, e que torce para que o mais breve possível, tudo volte a ser como era antes. Como, para ela, sempre foi.

   

Felipe Osório Moreira

Entre conversas e risadas, Felipe compra livros e fala com o amigo, que por sinal, também é o dono da banca.

O estudante de Biologia de 22 anos é um grande apreciador da gastronomia do Mercado. “Eu já venho há anos aqui, quem me apresentou o lugar foi meu pai, e desde então frequento sempre que posso” conta.

Uma das coisas que mais aprecia é tomar um café com os amigos, alguns de outras cidades, que ele faz questão de levar ao Mercado. “Antigamente eu ia bastante à Casa de Pelotas, era o meu café preferido.”

Além disso, destaca as bancas de revistas e livros, nas quais sempre encontra coisas interessantes e de bom preço, e a parte do hortifruti, “os vegetais daqui são muito mais conservados e de qualidade do que as que encontramos nos mercados comuns, por exemplo”, explica.

Felipe ainda diz que acha o Mercado Público fundamental dentro de Porto Alegre, um espaço que cresceu com a cidade e tem um peso histórico importantíssimo, e acredita que na escola não é passado essa noção de valor do nosso patrimônio.

“Eu só acho que poderiam dar uma modernizada em alguns aspectos. Melhorar a estrutura, mas claro, sem mexer muito na arquitetura original para não descaracterizar o prédio”, finaliza.

 

Valmir Mioso

Sorridente pelos corredores do Mercado, Valmir procura pelas novidades para levar à família que está longe. O funcionário público trabalha na capital há 15 anos, mas divide a residência entre Porto Alegre e Pejuçara, pequena cidade próxima a Cruz Alta.

Ele conta que o Mercado Público já virou parte da sua rotina. Nos finais de semana, vai ao encontro da família, mas não antes de passar no lugar e fazer as suas compras. “Eu sou cliente assíduo do Mercado. Gosto muito de comprar bacalhau e camarão. Mas, infelizmente, não consigo levar para Pejuçara as carnes, só levo o que não é perecível”, explica.

Valmir ainda critica a demora na finalização da reforma pós incêndio, “mas agora, pelo o que se vê, está sendo encaminhado o fim das obras e espero que a gente tenha um melhor atendimento na parte de estrutura”, finaliza.

 

Fotos: Vanessa Souza

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