Edson Vargas – Voz fandangueira

Cultura Gaúcha, por Letícia Garcia

O alegretense Edson Vargas ganhou os palcos com o grupo Os Mateadores e agora segue carreira solo, animando fandangos com ritmo e poesia

 

Vargas define sua música com uma só palavra: ritmo. Enraizado na música fandangueira, é a música de bailes gaúchos que move sua voz. “Eu procuro sempre uma música para alegrar através da dança, não gosto que fiquem me olhando cantar ou tocar, gosto que fiquem se balançando”, garante. Vanera, vanerão, xote e chamamé são seus bons conhecidos. Natural de Alegrete, aos nove anos deu o primeiro passo na música, tocando bateria. A influência veio da família: o pai Derli Vargas era grande tocador de gaita. Logo passou a integrar o grupo Piazitos, depois os Peões do Fandango. Ganhou os palcos do estado e do país em 1985, quando entrou para o grupo Os Mateadores como baterista.

Foto: Letícia Garcia

Mateando

Com Os Mateadores, correu o Brasil, animando fandangos – além dos estados sulistas, passou por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro. Também fez apresentações nos países vizinhos, Uruguai e Paraguai. Doze anos depois, a bateria foi trocada pelo microfone, e Edson passou a ser a voz principal dos Mateadores. Eles tocavam principalmente em Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) e em festivais – Vargas destaca a participação na Tertúlia Musical Nativista de Santa Maria, o Festival Gruta em Canto de Nova Esperança do Sul, o Festival da Música Crioula de Santiago e o Carijo da Canção Gaúcha de Palmeira das Missões, nos quais foram destaque. Depois de mais de 20 anos, decidiu sair do grupo, em 2007, mantendo-se como sócio e diretor, e passou por um período afastado dos palcos. Voltou com canções mais nativistas, “só de gaita e violão”. Uma apresentação em 2011 o chamaria de volta à música fandangueira: “Fui tocar em Piratini, preparado com um show nativista. Quando subi no palco, toquei a primeira música, o pessoal aplaudiu, ficou na boa. Quando toquei ‘A história dos passarinhos’, uma música gravada pelos Mateadores, um monte de gente veio para frente do palco dançar. Sou rotulado de baile, e não adianta fugir disso: voltei a tocar mais músicas de baile”, conta. Para ele, o cenário da música regional gaúcha está voltando a ser como quando ele começou. “De uns tempos para cá, vem num crescimento muito bom. Estou muito feliz com isso, está voltando bastante a música gaúcha, com uma força enorme. E isso posso comprovar através da nossa agenda”, comemora. Ele segue sua carreira, hoje com o grupo Galope do Mouro, que o acompanha desde 2010. “Não sei fazer outra coisa. Desde criança eu toco e canto. Minha vida sempre foi a música, tudo o que tenho foi através da música”, declara.

Trajetória e trabalhos

Com Os Mateadores, Edson gravou 15 CDs. Depois disso, entre parcerias e voos solo, gravou mais seis trabalhos: “Minha prenda amada” (2000), com Jaerson Martins, “Chuva, tropa e saudade” (2000), “No aconchego do galpão” (2009), “Num outro tempo” (2011), “Estampa de fronteira” (2012) e “Gostar de cavalos buenos” (2014), os últimos três em parceria com o grupo Galope do Mouro. O primeiro DVD solo foi lançado em 2010, “No aconchego do galpão”, e o segundo deve sair em setembro, em comemoração aos seus 30 anos de carreira. A gravação do DVD foi feita em fevereiro em sua terra natal, durante a 36ª Campereada Internacional de Alegrete, num show que recuperou canções consagradas por sua voz, como “A história dos passarinhos” (Gildo de Freitas), “Eu e o João de Barro” (Emerson Martins e Paulo Ricardo), “Galope do mouro” (Luiz Bastos e Paulo Saavedra) e “Pela cordeona do tempo” (Gujo Teixeira, Juliano e Leonel Gomes).

COMENTÁRIOS