Edilson Nabarro: “O Mercado Público é a síntese da relação da qualidade”

O Mercado tem os milhares de frequentadores, alguns mais famosos e conhecidos que os outros, mas todos ilustres amigos do nosso maior patrimônio arquitetônico do centro da cidade. A cada edição o Jornal do Mercado estará trazendo aos seus leitores o depoimento de um deles. O primeiro é do sociólogo Edílson Nabarro, uma das mais expressivas vozes do Movimento Negro e assíduo frequentador do Mercado Público, em especial do Bar Naval.

 

Venho no Mercado há muito tempo, desenvolvi uma ligação histórica com o Naval, uma relação de análise. O Mercado Público é a síntese da relação da qualidade, porque aqui é uma feira do ponto histórico. Ele contenta a cidade toda. Por mais que o Mercado tenha passado pela reforma, o que o modernizou de certa forma foram resguardadas as tradições e qualificado os ambientes de “baixos”. Porque aqui tu vem e faz uma refeição para todos os gostos de 10 reais até 30 reais, aqui encontramos todas as partes, todas as tendências e geografias da cidade. O Mercado é essa convergência de milhares de comunidades. Quem não conhece o Mercado Público não conhece Porto Alegre.

Quando venho ao Mercado, mais nos bares, tenho quase certeza que vou encontrar algum amigo. Isso acaba proporcionando um ambiente de intercâmbio, de solidariedade. O meu avô vinha comer sopa no Naval, o meu pai vinha comer sopa no Naval, e eu venho no Naval. Passou uma tradição, uma geração, isso é muito importante para a cidade. O Mercado expressa o que a cidade tem, é a síntese da cidade. Não há nenhum tipo de preconceito.Todas as classes sócias, raças estão aqui, o que expressa esse acolhimento de todas as tendências.

O que é marcante é o ponto recepcionador, acolhedor de todas as possibilidades de intercâmbio. Muitas pessoas casaram por conta do Mercado , outras se separam por conta da boemia no Mercado. Então essa expressividade do convívio de pessoas é que faz o Mercado apaixonante, muitas histórias pra contar. O importante é que todos são protagonistas. Se perguntares para os garçons, atendentes, donos, eles conhecem um personagem.

Aqui essas pessoas conseguem ter identidade, nome, endereço e história, as pessoas são protagonistas. Tem uma mágica simples de convergências, aqui é o início da cidade, ela irradia, ela converte.
No Mercado, talvez por essa tradição, se vê muitos negros, pessoal da beira do cais, atividades portuárias, que expressa a realidade da época em que foi construído. Pois era muito frequentado pelo pessoal do porto, marinheiros, etc. O Mercado é a expressão do trabalho e do povo.

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