Artur Faria: “É um privilégio ter um lugar como o Mercado”

“É um privilégio ter um lugar como o Mercado”

Frequentador do Mercado desde criança, Artur de Faria foi dos músicos gaúchos que estiveram tocando no Mercado no projeto Bohemia Instrumental. Foi a oportunidade do público conhecer, em primeira mão, o repertório do seu último disco, “Música para ouvir sentado”, um dos oito selecionados no projeto Natural Musical, onde concorreram mais de 700 trabalhos. Gravado em São Paulo e masterizado em Londres, o disco teve audiência inédita nos altos do Mercado. Aqui o depoimento dele sobre o nosso Mercado.

Artur de Faria *

É um dos lugares que mais gosto da cidade, venho desde criança, a Banca 40 é um lugar que eu vinha com meu avô. E eu sigo vindo. Faz três ano que eu trabalho aqui no centro de Porto Alegre e uma das grande alegrias de trabalhar no centro é que eu posso vim no Mercado seguido. Venho pelo menos uma vez por semana, gosto muito daqui. Todo mundo que vem a Porto Alegre eu digo para vim aqui. Hoje eu estava almoçando com um amigo paulista e ele observou que o nosso Mercado Público é da cidade mesmo, ao contrário de outros lugares onde os mercados viraram mais uma atração turística, de gente de fora que está conhecendo. E o nosso é completamente integrado na cidade. Eu frequento aqui antes da reforma. Num primeiro momento a gente estranhou porque ficou muito limpo, muito organizado, mas obviamente melhorou. É um bom lugar para a gente vim almoçar, tomar um café.

A Banca 40 é onde eu mais vou, bomba royal com caldinho de fruta. É um privélgio a gente ter um lugar como este, uma construção tão bonita, Porto Alegre é uma cidade tão recente. A gente fez um filme aqui há uns três anos, com direção do Gustavo Spolidoro, “Ainda Orangotangos”, um filme em plano sequência. O filme começava no Trensurb e atravessava o Mercado. Aqui a gente se fantasiava de boliviano e passava tocando, numa outra cena. Foram uns sete dias nisso. Foi bem divertido e o pessoal não sabia que estava sendo um filme e um garçom “gravateou” um dos atores, achando que era arruaça. Dos mercados públicos tem o Ver o Peso (Belém) que é bem legal, grande, e o de São Paulo acho bem legal também. Mas é isso que meu amigo observou, de ser de turista ou onde as pessoas fazem compras para restaurantes e não ser uma coisa tão integrada como é aqui.

*músico

Foto: Fabrício Scalco

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