Dos tabuleiros aos chalés

Nos últimos anos do século XIX, o Mercado passou por constantes mudanças para se adaptar à vida da cidade. Seguradoras, açougues, “lojas de fazendas” e barbeiros eram alguns dos ramos que compunham o comércio dos primeiros tempos.

 

Em fevereiro de 1870, o Mercado passou a funcionar a todo o vapor. Com sua posição central, entre a Doca das Frutas e a Doca do Carvão, logo suas paredes já abrigavam o comércio que antigamente se espalhava pelas ruelas do centro da cidade. Era essa, afinal, sua primeira e principal intenção: organizar o comércio. Como nos primeiros tempos não havia bancas fixas, o pátio interno era ocupado por tabuleiros e barracas, montadas e desmontadas, que ofereciam diferentes itens — frutas, verduras, ervas medicinais, refeições, utensílios de uso cotidiano.

Responsabilidade do poder público municipal desde o início, em 1871 foi iniciado seu calçamento interior e, em 73, a arborização do pátio central e a construção das primeiras latrinas públicas, próximas aos seus portões. Alguns serviços básicos foram, aos poucos, sendo instalados, como iluminação e água. Animais vivos eram vendidos ali, como galinhas, e logo armazéns de secos e molhados apareceram, assim como salas de companhias de seguros. Em 1874 surgiram os primeiros açougues.

As condições de higiene, especialmente das bancas centrais, era um problema constante. Para melhorar isso, e também estabelecer um controle do comércio no Mercado, a Intendência Municipal estipulou uma reforma no pátio interno em 1886 e instalou um sistema de aluguéis, o que acabou com os tabuleiros. Muitos que vivam dessa renda, sem poder pagar a permissão de uso, acabaram migrando para o comércio periférico. Foram erguidos 24 chalés de madeira, com 48 tendas, organizados em dois corredores que se cruzavam no centro do prédio e terminavam nos portões.

A ocupação desses chalés passou a acontecer por licitações, aprovadas pelo poder público. Com isso, novas atividades e novos comerciantes surgiram. Bares, açougues, barbeiros, lojas de tecido e mesmo hotéis deram nova cara ao Mercado. Armazéns de secos e molhados, então, tornam-se maioria. É após a construção de chalés que as famílias italianas, muitas imigrantes recém-chegadas ao estado, espalham-se pelo comércio do prédio.

 

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