Do produtor para a sua mesa

Do produtor para a sua mesa   

  

          Uma das grandes paixões dos gaúchos, a carne, para chegar na mesa (ou nas churrasqueiras) dos consumidores e aficcionados, passa por um complexo processo que se inicia lá no campo e termina ali na ponta – ou seja, na venda a varejo. De uns anos para cá, esse processo vem passando por muitas alterações, com inovações tecnológicas, melhoramentos genéticos, investimentos em profissionais, pesquisas e, principalmente, com um grande rigor na higienização e fiscalização. Novos manejos, novas raças, novos pontos de venda, simples açougues ou sofisticadas boutiques de carnes, também acompanham essa nova realidade. Tudo para que você tenha o seu corte preferido: maminha, chuleta, costela, picanha, vazio, etc, para cozidos, assados, grelhados, churrascos ou um simples e bom bife.

 

 

 

Pecuária: melhoramentos e avanços

 

 

 A pecuária gaúcha vem fazendo grandes avanços no sentido de qualificar a produção bovina. Investimentos em tecnologia, melhoramento genético, cuidados com higiene e saúde são alguns deles, na direção de levar ao consumidor final uma carne de mais qualidade ainda. 

 

     O produtor e veterinário Carlos Antônio, de Palmares do Sul, cuida de duas fazendas com criação de gado. Uma média de 1.300 cabeças, de red angus (vermelho) e aberdeen angus (preto), duas raças européias que vem predominando nos campos gaúchos nos últimos anos. “A diferença entre eles é só a pelagem. É um gado europeu, com uma ótima qualidade de carne, hoje a mais procurada no mercado, pela maciez, sabor e constituição”, diz ele. Diferença mesmo é com o com gado zebu, que predomina no centro-oeste do Brasil. O gado europeu tem um mamoreio da carne melhor, isto é, a gordura entremeada, permite que ela seja mais macia, enquanto o zebu apresenta a camada de gordura por fora da carne, o que a torna menos macia. O abate se dá entre os 24-28 meses de idade, geralmente o boi macho, castrado.

     Os métodos de hoje da criação do gado mudaram bastante, segundo o veterinário-produtor. São duas linhas: uma mais moderna, aplicadas em fazendas de ponta, que “intensifica o método”, isto é, mais tecnificada, trabalhando em cima de pastagens de inverno e verão, semi-confinamento e confinamento, alimentação racionada e revisão diária do gado. Além disso, uso de máquinas e implementos. E a outra linha, que ainda predomina, é a lida antiga, com peão, gado pastando no campo, como nos velhos tempos. No confinamento, a alimentação é 100% no coxo e a suplementação do volumoso é feita com feno e silagem, além da suplementação do protéico que é o concentrado. O problema de investir se deve às flutuações e imprevistos aos quais o setor está sujeito. Conforme a conjuntura mundial e suas crises, muitas vezes os investimentos resultam em prejuízos. “Hoje o grande problema é que a pecuária não tem uma segurança de mercado”, explica Carlos Antonio. O ideal seria a implantação de uma cadeia de fidelidade que envolvesse todas as pontas, o fornecedor, o frigorífico e o varejo. “É isso que a gente procura, montar toda a cadeia, para ter a fidelidade de todo o negócio, fazer uma escala para ter um planejamento a longo prazo”, diz. 

 

Investindo em tecnologia e melhoramento genético

     Os funcionários, modernos peões, contudo, recebem investimentos constantes para a sua qualificação. Para eles são ministrados cursos de inseminação, manejo do gado, vacinação. Também é feito um trabalho constante de prevenção de doenças da região e do carrapato. E também mudou consideravelmente o trato com o animal. Hoje ele já é castrado no nascimento e o processo da desmama também é mais suave, procedimentos que fazem com que o animal sofra e se estresse menos. “Hoje a gente cuida muito desta parte. Evita de trabalhar com cachorro na mangueira, guizo, coisas que se usava antes. Isso vai se refletir lá qualidade da carne para o consumidor final, que já está sabendo diferenciar uma carne de qualidade”, diz o produtor. Outro avanço é a inseminação artificial. “Ela te proporciona escolher os touros no mundo inteiro a um custo inferior. Pode escolher dá onde quiser, Inglaterra, Estados Unidos e o melhoramento genético é muito grande”, explica. Com isso os touros só são usados eventualmente para fazer repasse, ou seja, quando algumas vacas tem dificuldades na inseminação. Todas essas melhorias e investimentos tem, como objetivo, a ponta final, para que os consumidores tenham a opção de comprar uma carne diferenciada, sabendo onde comprar e o que comprar. Ele lamenta que o preço praticado no mercado seja muito acima do que é remunerado no campo. “Mas assim que estiver adequada esta realidade de ganho, esta carne vai tomar conta total do mercado”, entusiasma-se Carlos Antônio.

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