Diversidade na festa de aniversário do Mercado

Diversidade na festa de aniversário do Mercado

 

A arte musical invadiu os corredores do Mercado Público para celebrar seus 143 anos de história. Do erudito ao gauchesco, da bandinha ao samba, dia 5 de outubro o Mercado foi palco de uma diversidade de estilos musicais, que combinam muito bem com ele mesmo: diverso.

 

Diferente dos outros anos, a programação deste ano, organizada pela SMIC e pela Ascomepc com o patrocínio da Vonpar/Coca-Cola, trouxe as comemorações de aniversário para o corredor, para a entrada da banca, para o contato direto com o público frequentador. “A gente trouxe artistas que pudessem estar circulando entre as bancas, para fazer esse trabalho de integração com os clientes, com a comunidade. Estamos muito felizes com a repercussão”, comemora Paulo Göttert, da Ascomepc. “Ao invés de fazer aquela comemoração formal, aquela solenidade, resolvemos fazer uma festa de rua”, completa Adriana Leão, da SMIC. Das 13h até por volta das 18h30, a música passeou pelas paredes do prédio.

 

Do clássico ao carnavalesco

 

A primeira apresentação do dia foi do Quarteto de Cordas de Porto Alegre, que trouxe música erudita com violinos, violoncelo e viola. Sérgio Emanuel Lima, da Escola de Música Tio Zequinha, acompanhou o Quarteto. “Trazer música clássica para o Mercado é uma satisfação, porque proporciona ao público um contato mais próximo com a música erudita”, diz. Uma hora mais tarde, a Banda Münich, acompanhada dos bonecos Fritz e Frida, espalharam música alemã pelo prédio, vindo divulgar a 28ª Oktoberfest de Santa Cruz. As bandinhas percorreram o espaço até ás 15h, quando o Tchê Piazzito começou, cantando e contando causos gauchescos, num diálogo direto com o público. “A gente vai fazendo a volta pelo Mercado e falando das origens do Rio Grande, fazendo o pessoal ver que eles gostam do nosso tradicionalismo e às vezes nem sabem”, diz um satisfeito Henri Jues, autor do espetáculo. “Isso tem a cara do Mercado Público, porque Mercado é tradição, e foi o que eu senti”, completa. “O legal de trazer uma coisa dessas para o Mercado Público é tu poder quebrar a parede das pessoas e chegar nelas”, ressalta Sérgio Nardes, diretor musical do grupo. O contato com o público também foi destacado por Mauro Bruzza, que entrou como Homem Banda logo após o Tchê Piazzito. Para ele, compartilhar o espaço do Mercado com a diversidade de pessoas que circulam por ele faz parte de sua arte de rua: “é o engravatado, é a madame, é quem não tem dinheiro nenhum, são os comerciantes, são negros, mulatos, brancos, nipônicos… Como artista de rua, para mim essa salada de frutas é magnífica. É o que eu busco com a minha arte: fazer as pessoas serem mais iguais e compartilharem, juntas, um momento”, diz. “É uma honra poder participar e entrar no Mercado não como consumidor, e sim como artista”, finaliza.

 

A última apresentação foi da bateria da Imperadores do Samba. Por volta das 18h o Homem Banda juntou-se a Imperadores e puxou o “Parabéns a você”. Nesse horário, a área central já abrigava o bolo de aniversário, que foi distribuído aos freqüentadores e visitantes sob som carnavalesco. A estudante Greice Gonçalves, de 18 anos, aplaudiu a programação: “Essas apresentações trazem a cultura de Porto Alegre, e isso é muito importante”. Cultura formada por muitas culturas, que fazem o Mercado. A comemoração de aniversário reforçou a pluralidade e o contato pessoa a pessoa, que fazem do Mercado o que ele é.

 

 

Fotos: Letícia Garcia 

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