Dia dos Pais no Mercado

Dia dos Pais no Mercado

 

     Como agosto é o mês dos pais, a equipe do JM percorreu os corredores do Mercado Público em busca de histórias de pais e filhos. São tantas as histórias que selecionamos três, e relatando estas esperamos homenagear todos os pais do Mercado.

 

Companheirismo

      Amílton José Malfatti, natural de Gramado Xavier, chegou ao Mercado Público em 1976, com 13 anos de idade. Seu início foi trabalhando na banca 48, depois foi para a 33 e hoje trabalha na banca 16. Seu filho, Jackson Malfatti, desde pequeno o acompanha no Mercado. Começou vindo por brincadeira, e hoje com 22 anos trabalha juntamente com seu pai.      É o próprio Amílton quem nos conta desta experiência de trabalhar com o próprio filho no Mercado:“Eu queria que ele estudasse e encontrasse o seu próprio caminho, mas o ambiente aqui é contagiante, já dizem que quem bebe da água não sai mais daqui. Por outro lado é muito bom por aqui eu sei quem são suas companhias e eu fico mais tranqüilo. Existe um equilíbrio, não misturamos as coisas, aqui é trabalho depois do horário e em casa que voltamos a ser pai e filho.“     Jackson concorda que durante o dia o relacionamento é profissional, mesmo assim alfineta  “ele me pega mais no pé como gerente do que como pai”, é neste clima descontraído que pai e filho passam seus dias trabalhando e atendendo ao público com muita atenção e bom humor.

     Mas como homenagem ao dias dos pais também é coisa séria, Jackson manda o seu recado: “ Sem o meu pai, eu não seria ninguém. Tudo que eu sei eu devo a ele, não só o que eu aprendo aqui no dia-a-dia, mas também seus exemplos e seus valores, que por estar sempre junto acaba me passando”.

  Uma tradição que passa de geração em geração

     Cláudio Costa da Silva, pai de três filhos, começou sua vida junto ao Mercado no ano de 1953. Foi com 10 anos que veio ajudar seu pai, Nicolau Inácio da Silva. Nicolau na época, além de manter uma ban-quinha de peixes, na antiga Coréia, possuía um barco, que utilizava para a pesca dos peixes que depois seriam comer-cializados. “Antigamente existiam as bancas de pedra, onde ficávamos vendendo os peixes. Meu pai era um homem de pouca conversa e muito trabalho, trabalhávamos até às 11h da noite e também nos domingos e feriados”.     Em 1967, com a morte de seu pai, Cláudio, então com 24 anos teve que tocar o negócio da família. É dado início os trabalhos da banca 49, agora no ramo de Flora. A banca proporciona o sustento de Cláudio e de sua família, os anos passam e seus filhos também começam a freqüentar o Mercado. Hoje é seu filho mais velho, o Júnior, 34 anos, é quem gerencia a banca. “Comecei a trabalhar quando tinha 15 anos, pela manhã freqüentava a escola e a tarde estava aqui ajudando, sem tratamento especial, eu era um funcionário.” Com 18 anos já era responsável pela banca. Seu pai, Cláudio, deixou de trabalhar na banca em meados de 2001, já aposentado. Hoje ele freqüenta para ver os filhos e rever os amigos. “O Mercado é um bom lugar, e para quem quer trabalhar aqui fica a dica, tem que ter disposição”.

     Para Cláudio é emocionante ver o trabalho iniciado pelo seu pai, hoje ter continuidade pelas mãos de seus filhos. “O que eu deixei para os meus filhos, além da banca, foi a maneira de trabalhar, sempre com honestidade e disposição.” Para seu filho e gerente da banca, Júnior, a responsabilidade é maior quando se trata em administrar a banca: “a responsabilidade é devido o Mercado estar cercado de tradições, é gratificante fazer parte desta história”. Além de Júnior, trabalha na banca a sua irmã Francine da Silva, que também já está a alguns anos ajudando o seu irmão. Sempre preservando as tradições da família.

Exemplo de pai para filho

      O senhor Oscar Endres começou a trabalhar no Mercado Público em 1954, vindo do interior de Montenegro depois de ter servido junto o exército. “Quando comecei a trabalhar aqui não havia energia elétrica nas bancas, balcão de frios não tinha, as galinhas eram vendidas vivas, os clientes compravam e matavam em casa. Os táxis também não ficavam aqui perto, existia sim os bondes, e para aqueles que faziam compras podiam pagar um carreto com as carroças que ficavam do lado do Mercado.“        Hoje o seu Oscar está com 75 anos de idade, sendo que 54 destes trabalhando na banca 43, da qual é sócio. “Aqui nós chegamos a atender presidentes da república neste balcão. Lembro também do dia em que morreu Getulio Vargas, aconteceram diversos tiroteios na cidade, e aqui na Praça XV tínhamos que caminhar abaixados escutando só os zunidos das balas que cruzavam por cima de nossa cabeça“. Brinca.     Provido de uma excelente memória, Oscar também tem a sorte de trabalhar com seu filho Peter. Não era o seu objetivo trazer seu filho para o Mercado, ele até já havia concluído a faculdade, mas preferiu se juntar a seu pai e trabalhar com ele na banca.     “ Ele terminou a faculdade de Física, mas não viu um bom retorno trabalhando na área. Ele me pediu se poderia ajudar na banca e eu achei maravilhoso.“     Oscar acredita que seu filho Peter tem um belo futuro pela frente se continuar na banca, pois aparentemente ele vem muito bem. “Aqui nossa relação é de patrão e funcionário, levo a rigor, sem moleza. Em casa é mais tranqüilo, ainda mais que ele é o único filho que ainda mora comigo.“     Peter concorda com seu pai, conta que eles chegam juntos para o trabalho e também vão embora juntos, depois de fecharem a banca. “É reconfortante trabalharmos juntos, sempre tem uma pessoa de apoio, ele me instrui como devo continuar o negócio. Ele me ensinou muitas coisas, mas eu também já estou fazendo as coisas a minha maneira, utilizando, por exemplo, o computador para organizar nosso estoque, coisa que meu pai não tem tanta facilidade.“      Peter está hoje com 30 anos, e há mais de cinco que ele trabalha junto de seu pai, quando era mais novo ele chegou a vir ao Mercado, visitava a banca, a mesma que deu suporte a sua família. Por ser o único homem dos filhos do seu Oscar, e suas duas irmãs já trabalharem em outras áreas, coube a ele o papel de perpetuar a tradição da família.

     E quanto a uma terceira geração? “ Os filhos nós criamos para o mundo, os meus eu deixarei que eles mesmo decidam o que quiserem fazer, a banca sempre será um apoio, mas se decidirem pela banca, eles tem que seguir a tradição, respeitando nossos costumes e nossa clientela”.

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