Depoimentos ilustres: porque, no mercado ninguém é um ilustre desconhecido

O Mercado tem milhares de frequentadores. Para nós, todos ilustres. Aqui, porém, registramos depoimentos de alguns mais conhecidos que convivem com o Mercado, presentes na coluna Depoimentos Ilustres ao longo deste primeiro ano.

Edílson Nabarro – Sociólogo é um dos ilustres freqüentadores do Mercado Público, especialmente do Bar Naval, Edilson Nabarro, Diretor do Depto de RH da UFRGS, militante do Movimento Negro, deu seu ilustre depoimento na edição Número 1.
“Quando venho ao Mercado, mais nos bares, tenho quase certeza que vou encontrar algum amigo. Isso acaba proporcionando um ambiente de intercâmbio, de solidariedade. O meu avô vinha comer sopa no Naval, o meu pai vinha comer sopa no Naval, e eu venho no Naval. Passou uma tradição, uma geração, isso é muito importante para a cidade. O Mercado expressa o que a cidade tem, é a síntese da cidade. Não tem nenhum tipo de preconceito. Todas as classes sociais, raças, estão aqui, o que expressa esse acolhimento de todas as tendências.”

Ruy Carlos Ostermann é um conhe­cidíssimo professor, jornalista e comentarista de futebol fez um pungente depoimento na segunda edição do Jornal do Mercado. Sempre com a sua sabedoria e eloquência.
“O que sempre mais gostei do nosso Mercado foi, antes de saber como ele se esconde e se mostra, o cheiro, o voluptuoso cheiro que vinha de dentro dele pelos portões e pelo telhado que invadia a Borges, na Praça XV e se espalhava na direção do Guaíba, contaminando chei­rosamente pela Júlio. O cheiro, os cheiros, todos os cheiros sem que se pudesse imaginar de onde vinham ou se eram a luxuriosa síntese de muitas fontes abertas ou entreabertas no ventre úmido do Mercado.”

Flávio Alcaraz Gomes é uma das vozes mais conhecidas do Rio Grande, o jornalista, radialista e escritor gaúcho teve um destacado papel na resistência à demolição do Mercado. Mas, além disso, teve grandes vivências nele, desde os tempos do seu pai.
“Eu tirava plantão no jornal, no Correio do Povo, uma vez por semana. Saía às três horas da madrugada e ia tomar uma sopa ou comer um filé no Treviso, que não fechava nunca. Essa tradição foi substituída pelo Gambrinus, do Antonio Melo, querido companheiro que mantém a tradição. Ali, no Treviso eu assisti várias vezes o Francisco Alves. O Antonio, do Gambrinus, herdou a cadeira onde o Francisco Alves sentava no Treviso. A tradição gastronômica veio de longe. Tem também o Naval. O garçom dizia: “salta um filé com bailarina, carrega no entulho!”, uma bela tradição de Porto Alegre”.

Wladymir Ungaretti é assíduo freqüen­tador do Mercado, adepto de caminhadas sem destino pela cidade, (principalmente pelo Centro), o jornalista e professor universitário Ungaretti, também deu o seu depoimento ao Jornal do Mercado.
“Aqui eu freqüento muito as bancas de temperos, compro muito peixe. Me dou muito com as pessoas aqui dentro. Também freqüento muito a Cachaçaria do Mercado onde tem grandes cachaças. Acho que nós brasileiros temos que conhecer as cachaças do país, que são várias. Freqüento a Banca 40 e em geral circulo aqui por dentro do Mercado. Se eu vou fazer uma paella, venho buscar todos os ingredientes aqui. As pessoas sabem quais são os temperos.”

Esdras Rubin, publicitário capixaba há mais de 30 anos no Rio Grande do Sul, já foi vereador e Secretário de Turismo em Gramado. E durante 14 anos esteve no comando do Festival de Cinema de Gramado.
“O Mercado é um ponto no city tour, até pela localização. A Linha Turismo passa no Mercado. Ele tem vida, anima. Agora, acho que poderia ter mais bares na noite, música. Eu sei que o Paulinho Pinheiro e o Jorginho do Trumpete estiveram lá, tocando ali em cima(…) Acho que é uma boa oportunizar que volte a ter bares que fique mais para a noite.”

Rodrigo Lopes, como repórter internacional de Zero Hora, viajou para vários países. Agora, como apresentador do Programa Camarote, da TVCom, diz que está redescobrindo Porto Alegre. O Mercado é uma das suas redescobertas.
“Logo após a reforma me afastei um pouco do Mercado. Hoje acho que entrar aqui virou mais um cartão postal. Me sinto orgulhoso do Mercado, de poder trazer alguém que chega de fora aqui. Claro, nos arredores ainda é um pouco perigoso, precisa evoluir na questão da segurança, na reurbanização, a questão do Cais do Porto, para que as pessoas se sintam mais à vontade para vir para o Centro.”

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