Luciano Sampaio Maia: “Dentro do Mercado tem um pouquinho do mundo“

“Dentro do Mercado tem um pouquinho do mundo“

Com 10 anos de mercado, o Quartchêto é uma das gratas revelações da última década na música do Rio Grande do Sul. Com uma formação inusitada, unindo percussão, violão, acordeon e trombone, este último um instrumento raramente utilizado na música gaúcha, o grupo consagrou-se por suas inovações musicais. Trabalhando com ritmos regionais, como o chamamé e a chacareira, o Quartchêto, porém, reveste seus arranjos com elementos jazzísticos, o que lhe confere características novas e bossas diferentes em sonoridades regionais e universais. O grupo esteve no Circuito Bohemia, em uma das apresentações nos altos do Mercado. Foi lá que conversamos com um dos seus integrantes, Luciano Sampaio Maia, e colhemos seu ilustre depoimento.

 

Luciano Sampaio Maia

Geralmente venho aqui para comprar queijo, erva-mate. Tem uma, duas ou três casas que eu freqüento porque tomo chimarrão o dia todo e aqui tem as ervas que eu gosto, algumas importadas. Então, a cada 15, 20, dias estou aqui no mercado, não só para fazer compras, mas também para passear porque nos remete a um ambiente antigo, enfim, a outro tipo de vida, diferente da que a gente leva aqui na capital, mais agitada. O difícil é estacionar. Aqui dentro do Mercado também é agitado. A arquitetura do local, o atendimento, as pessoas,  sempre tudo muito bem, acabam nos remetendo a um tempo mais antigo. Sou natural de Pelotas, tenho 30 anos, moro aqui há 10 anos, toco desde os oito anos. Vim para trabalhar, sou músico, produtor, arranjador, trabalho muito em estúdio e Porto Alegre era o centro onde eu precisava me focar para trabalhar. Trabalho com isso desde os 12 anos, já estava na estrada. Sinto aqui um bom relacionamento das pessoas, além de a gente conseguir quase tudo do mundo todo – erva, chás, queijos, alimentos. Tudo o que eu procurei aqui sempre achei, tempêro, uma infinidade de coisas.

Música no Mercado

O primeiro contato foi por curiosidade. Eu morava no Centro, na Riachuelo e um dia saí para passear e conhecer a cidade e vim descendo, olhando e acabei caindo aqui no Mercado. E desde logo me identifiquei, gosto muito do lugar. Não é de fácil acesso para mim, moro na Zona Sul, mas sempre que possível estou aqui para fazer compras e dar uma volta. Nunca tinha visto música aqui, mas acho legal porque interage com o público. É bom estar aqui passando, tomando um chope, saindo do trabalho, fazendo um happy hour, acho uma maravilha poder juntar uma cervejinha e uma conversa. Me lembra muito o mercado de Pelotas, eu ia muito lá, era criança, meu pai era o barbeiro lá, então me levava para cortar o cabelo e a gente ficava rodando, além de conhecer outros mercados. Porque o Quartchêto está direcionado a projetos culturais e viaja bastante e é um costume do grupo conhecer os mercados, como Salvador, Belo Horizonte. A gente acha que nos mercados é que se concentra a verdadeira cultura de uma cidade. O mercado que mais me chamou a atenção é o mercado público de Salvador. Fomos com a turma toda – é impressionante a quantidade de coisas, de gente, até pela antiguidade.

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