Da Ceasa direto para o Mercado Público, tudo fresquinho

Abastecimento

 

Da Ceasa direto para o Mercado Público, tudo fresquinho

 

Os produtores levam seus produtos direto para a CEASA, Central de Abastecimento, onde tudo chega cedinho e bem fresquinho. Lá muita gente, clientes diretos, bares, restaurantes, quitandas e mercadinhos se abastecem. E claro, muitas bancas do nosso Mercado. O Jornal do Mercado esteve lá para acompanhar este percurso.

 

A intensa movimentação é constante. Caminhões, camionetes, carregadores, carrinhos e muita gente nas bancas onde frutas, legumes, carnes, peixes, flores saem às caixas e às dúzias. Clientes antigos, clientes novos, mas todos invariavelmente comprando em quantidades consideráveis. “A gente primeiro tem que conhecer o cliente, as exigências dele. Cada um é diferente, tem gostos diferentes, mas todos procuram tamanho e qualidade”, diz Antonio Fanisson, de Nova Pádua. Informando que os produtores de cebola da região competem diretamente com os produtos importados da Argentina, Antonio, há 15 anos sai às terças e quintas da sua cidade logo que rompe a manhã, trazendo além de cebola, tomate e alho. E a cada ano é diferente um do outro em relação aos preços, custos e, principalmente, lucros. Este ano, por exemplo, diz que quase não vai lucrar com a cebola porque os insumos estão muito altos. Mas mesmo assim não vai vender abaixo do custo porque isto é muito perigoso. “Corremos o risco de não estar mais aqui no próximo ano”, diz ele.

Já Luciana Ferrari, de Gravataí vem há cinco anos na CEASA, vendendo temperos, rúcula, radite, brócolis, mostarda, espinafre, em quantidades que dependem da produção “da roça”. Tem muitos permissionários do Mercado como clientes. “Quase todos de lá compram aqui, nossos produtos livres de agrotóxicos”, diz ela, que informa ter na concorrência, no frio e na chuva as maiores dificuldades. Também trabalha com encomendas, o que segundo ela, é melhor porque assim já tem uma previsão. Outra que enfrenta dificuldades com o clima para poder manter a sua produção é Maria Inês de Jesus, de Alvorada, já com 10 anos de atividades na CEASA. Ela vende, principalmente, chás e temperos. Camomila, malva, guaco, poejo, manjerona, tomilho, orégano, manjericão vendidos em molhos ou por dúzia, cuidadosamente plantados em estufas. Com o frio aparecem clientes da fronteira, da serra e até do litoral porque são regiões muito frias, o que dificulta o plantio. Por sua vez, com 20 anos de atividades na CEASA, Vanderlei Torres, de Itati, diz que a diversificação de culturas é o que salva, literalmente, a lavoura. Ele vende couve, beterraba, brócolis, mas o que “salvou” este ano foi o tomate.

Já no Mercado Público, Jorge Surtica, do Box 2, gosta da rotina da compra de mercadorias. Para ele o verão “é mais forte” de vendas, quando vem gente de vários lugares, do litoral à serra. No inverno, diz, é bom “porque tem menos tumulto” para vender seus tomates, cebolas, alho, pimentões, limões, etc. Lamenta apenas a dificuldade no horário de carga e descarga. Todos os permissionários que trabalham com a CEASA, as duas bancas de frutas e os oito Boxes de hortifrutigranjeiros. “Nós chegamos no Mercado quase 5 da tarde. Já não é hora pra carga e descarga”. Mesmo pagando a área azul não podem fazer a descarga. “Acabamos tendo que descarregar muito longe do Mercado. Perdemos muito tempo. O nosso cliente busca tudo fresquinho. O Mercado perde muito com isso”, diz Jorge.

 

Frutas nacionais e exóticas

Muitas das frutas que se encontram no Mercado vem, com certeza, do Box de Paulo Escobar, 20 anos de Ceasa. Ele busca frutas de todo o Brasil na Ceagesp, em São Paulo, em grandes quantidades. Vende “de tudo um pouco”, das frutas mais tradicionais, às mais exóticas – quino, canistel, figo da índia, tamarindo, jaca, fruta do conde, graviola, carambola, caju, romã, etc. Diz que graviola e carambola são das mais procuradas, inclusive como remédio, a primeira para o câncer e a segunda para diabetes, respectivamente. Mas ele também ataca com produtos menos comuns, como gengibre, inhame, limão siciliano, alcachofra, pepino japonês, pimentão de todas as pigmentações e mandioquinha. Outra vantagem é que ele sempre tem frutas da época.

 

Tradição dos chás

Aposentada, 80 anos, Eli Lucas não dispensa a compra de verduras e temperinhos nas bancas do Mercado. “Abóbora, tomatinho, couve-flor, temperinho verde, esses produtos leves, do dia-a-dia, como condimentos”, são os seus preferidos, diz ela. E compra no Mercado pela qualidade, limpeza e, claro, os preços que, segundo ela, são bem mais baratos. Quem também não dispensa um chazinho do Mercado é Walter Feijó. A tradição “vem de pai para filho, neto e a gente vai seguindo”, diz ele, que foi especialmente ao centro para comprar poejo e guaco, para fazer o famoso xarope de bananinha do mato, com mel e agrião que é, como diz a lenda popular, “um santo remédio” para gripes, resfriados e até pneumonia. “O Mercado é um ponto central, onde a gente encontra tudo”, finaliza Valter.

COMENTÁRIOS