Cristina Moreira

 

Cristina Moreira, participante da exposição do 1º Concurso Fotográfico do Mercado

 

     Desde que voltei a morar em Porto Alegre, o Mercado Público se tornou meu ponto de referência, meu lugar de redescoberta da cidade. Depois de anos morando em Curitiba, Porto Alegre me pareceu meio caótica, um tanto desorganizada até. E aprender as ruas e as direções de uma cidade é quase como aprender a ler em outra língua, você precisa aprender também os códigos, os meandros, a sintaxe.

       O centro de Porto Alegre não fica exatamente no meio do mapa, como acontece em outras cidades. Mas é ponto para onde todas as linhas convergem, e, sendo mais específica, dá para dizer que todas as levam ao rio. Portanto, quando eu precisei eleger um início, um marco zero, para começar a entender e percorrer as ruas de Porto Alegre, a escolha do Mercado Público para ser esse ponto me pareceu a escolha mais acertada.

      Além disso, eu precisava também me descobrir gaúcha. E também nisso o Mercado Público foi importante, com sua história que se mistura em muito com a história da cidade, com sua infinidade de significados, com a versatilidade de seus espaços.

      Escolher apenas um ponto-de-vista que representasse toda a diversidade que eu vejo no Mercado, para o concurso, era um desafio, e acho que consegui reunir nessa foto a universalidade dos gostos do mundo traduzida para a língua e os costumes locais. 

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